Quarta-feira , 18 Setembro 2019
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O cenário agrícola e expectativas para a próxima safra

Sem Título-1Diferente das safras passadas, principalmente as quatro últimas, o clima vem interferindo negativamente na produção de grãos na região de Campos Novos. Com o fenômeno El Niño presente, a safra de inverno de 2015 foi muito prejudicada, com produção menor e baixa qualidade de grão. Aliado a esses fatores, a baixa valorização do trigo, por exemplo, prejudicou a vida do produtor.

De acordo com o Diretor Executivo da Copercampos, Clebi Renato Dias, o El Niño deste ano está sendo chamado de ‘El Niño Mostro’.  “Esse fenômeno pegou em cheio a safra de toda a região e no norte do Rio Grande do Sul, onde trabalhamos, e no ano passado, por exemplo, a Copercampos trabalhou com 72 mil toneladas de trigo e esse ano não vai chegar a 25 mil toneladas, então em termos de receita, movimentação e principalmente qualidade. 50% está em trigo tipo 2 e 3 e com baixo padrão e isso é ruim para a empresa, mas pior para o agricultor que investiu em alta tecnologia, sementes de excelente qualidade e com custo alto, que resultou na combinação: clima ruim, baixa produtividade e preço que não agrada”, afirmou Clebi.

O operador de mercado ainda destacou que além do trigo, a cevada teve o mesmo processo, assim como a aveia. No ano, porém, Clebi lembra que na safra de verão 2014/2015, houve uma euforia pelas boas produtividades e boa comercialização. “Muitos produtores aproveitaram na safra de verão a mexida no câmbio e venderam bem, a até R$ 75,00 a soja e R$ 30,00 o milho, então agora, finalizando o ano com problemas e isso nos leva do sinal amarelo para o vermelho, que leva a expectativas de perdas. Na semana passada, conversei com diversos produtores e vimos que alguns perderam R$ 20 mil, outros R$ 200 mil no trigo, por colher mal e o pior de tudo é que não existe um seguro nessa área”, destacou.

Já nas culturas de verão, o otimismo é grande, principalmente de que os preços se mantenham e a produtividade seja boa.

Soja pode ter produção menor no país

De acordo com levantamentos da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, os números da safra 2015/2016 de soja apontam para uma produção de 102,5 milhões de toneladas de soja, porém, Clebi Renato Dias afirma que os números são muito distorcidos. “Saiu essa informação de 101 milhões até 105 milhões de toneladas, mas eu acho que não passa de 95 milhões de toneladas de soja na próxima safra, mas o mercado todo está trabalhando acima de 100 milhões de toneladas, então fica essa expectativa e tem muito o que acontecer. O que é certo é que quando tem El Niño, as safras de verão são boas de produtividade. Aqui em Campos Novos tivemos problemas localizados de excesso de chuva no plantio, com enxurradas que levaram as sementes e insumos, então fica isso, uma expectativa por ter uma janela de plantio menor, mas tem a torcida para que se colha uma boa safra de verão”, ressaltou.

Clebi lembrou que a tecnologia existente para produção de soja é um grande diferencial. “Temos sementes tops do Brasil, que Campos Novos produz. Tudo que tem de melhor está aqui, então tem chances de produtividade acima de 80 sacos/ha e que fique numa média de 60 sacos/ha está ótimo”.

Bons preços no milho

Na cultura do milho, o clima está colaborando muito para o sucesso nesta safra e o Diretor Executivo da Copercampos destaca que com este fenômeno climático, o milho sempre se destaca. A área plantada foi de 7 mil hectares, redução de 2 mil hectares, em relação a safra anterior, porém, a produtividade e o preço podem garantir bons ganhos ao produtor.

Além disso, Santa Catarina se destaca por ser um estado que produz aproximadamente 50% do total que consome. “Nós estamos no estado mais tranquilo para comercialização de milho, porque temos as grandes indústrias instaladas e o que acontece é que continua o grande consumo e o estado é um pequeno produtor de milho. Estamos produzindo R$ 3,5 milhões de toneladas e consumindo 6 milhões de toneladas, e o produtor sempre tem para quem vender. Hoje estamos pagando R$ 30,00 o saco ao produtor e para o ano que vem tem a tendência de não cair disso, que é um excelente preço. É que nossa memória é curta, porque início de 2015 estava a R$ 22,00 o saco, então cria uma perspectiva de ganho, acima de tudo pela produtividade, que se tem hoje a expectativa de colher 220 a 240 sacos/ha”.

Feijão carioca pode ser o Salvador da Pátria

O Diretor Executivo da Copercampos Clebi Renato Dias lembrou que a cultura do feijoeiro pode ser neste ano, a grande jogada do produtor. “O produtor de feijão carioca não teve um bom resultado no ano passado, claro que a cultura não é de muita chuva, e o produtor vai correr riscos, mas os preços são muito atrativos. Tem produtores em São Paulo recebendo de R$ 230,00 a R$ 250,00 o saco, e o produtor pode plantar em janeiro e colher em março, então fica essa grande expectativa, pois o feijão tem sido em algumas safras o salvador da pátria e eu acho que neste ano, o produtor que colher 40 sacos/ha e vender a R$ 200,00 terá um bom ganho, apesar de sempre dizermos que é um produto de difícil comercialização e dizemos que é um hortigranjeiro, porque tem um sistema diferenciado de comercializar”, lembrou.

Clebi destacou ainda que a cultura tem tradição na região e aquele produtor que sempre plantou feijão, não vai deixar de investir. A área plantada com a cultura deve ser de 7 mil hectares, segundo levantamento do IBGE.

“Aquele que tem tradição sempre planta. Fica na ansiedade do mercado, de saber quanto que vai plantar, mas o produtor da Copercampos é tradicionalista e sempre deixa uma área para plantar o feijão. É claro que tem problemas de doenças, rotação de culturas e outros fatores, porque o produtor tem que ser um mega empresário e entender de muita coisa, mas o feijão é uma oportunidade de ganho”, enfatizou Clebi.

Cenário de precauções para 2016

“Nós estamos vivendo um cenário de precauções. Nós estamos assim na cooperativa desde janeiro, mas a Copercampos está preparada para atender o produtor. Nós somos hoje o maior produtor de sementes do sul do país e não podemos colher com umidade alta, senão complica, mas mesmo assim, vemos que temos um volume significativo de soja vendido antecipadamente com bons preços, assim como de milho, que tem negócios antecipados. A soja começou com R$ 60,00 e chegou a R$ 75,00 saco, mas tudo depende de câmbio, do lado econômico ruim que vivemos, então esperamos que o câmbio não seja menor que R$ 3,80 por cada $ 1,00. A expectativa para o agronegócio não é ruim, mas já vimos muitas empresas quebrando, então o cuidado deve ser redobrado. Acredito que a crise não deve durar para sempre. A agricultura teve um período muito bom e nada dura para sempre. Assim como o que é ruim. Vai chegar um momento que o que está embaixo vai subir e eu acredito que de junho em diante a economia brasileira comece a se restabelecer e quem produz alimento tem uma certa estabilidade porque o mundo precisa comer, então o cenário é de precaução, mas devemos ser otimistas e torcer para que tenhamos uma boa safra aqui em Campos Novos, porque só a Copercampos contribui com 20% de tudo que retorna de impostos para o município e a importância da cooperativa e do setor para o município é muito grande”, finalizou.

 

 

 

 

 

 

 

 

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