Quarta-feira , 18 Setembro 2019
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Aumento de 77% no número de casos de AIDS em três anos em Campos Novos

Dia Mundial de Luta contra a AIDS é lembrado nesta quinta-feira, 1º de dezembro, com alerta para a falta de proteção e aumento da promiscuidade nas relações sexuais.

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Radamés Pereira de Mendonça

A Vigilância Epidemiológica Municipal, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Saúde, informou nesta semana, que 103 doentes de AIDS estão sendo acompanhados em Campos Novos pela Saúde Pública. São 53 mulheres, 49 homens e uma criança de 5 anos de idade, portadores do vírus HIV.

Conforme o Coordenador do Programa DST/AIDS da Secretaria Municipal de Saúde, médico Radamés Pereira de Mendonça, em 2013, quando iniciou na coordenação do programa, eram 23 casos de AIDS notificados no município e em acompanhamento, o que representa um aumento de 80 casos, ou seja, 77%. Nos últimos três anos, relatou o médico, pelo menos 15 óbitos foram registrados.

aidsRadamés manifesta preocupação com o aumento crescente no número de casos da doença no município. “Preocupa demais, é um número que está nos deixando de cabelo em pé, visto que em 2013 quando tive início no programa, tínhamos um número de 23 pacientes confirmados. Então para nós, que fazemos as três esferas da saúde em Campos Novos, vemos que estão subjugando o que é a doença, que é sexualmente transmissível. As pessoas não se protegem mais, não está havendo preocupação”, lamentou.

Não faltam informações quanto à gravidade da AIDS, que embora tenha tratamento, não tem cura, alertou o médico. “As informações são dadas, os veículos de comunicação exaustivamente apresentam campanhas de orientação, porém há uma dificuldade de entendimento da população sobre o que é a doença, o que é o tratamento e as consequências que são para o resto da vida. Fala-se muito que virou uma doença crônica, tem tratamento e as pessoas infelizmente não se cuidam. Tem tratamento, porém não tem cura”.

O tratamento é contínuo, ou seja, para toda a vida e os portadores devem ministrar os medicamentos de forma correta. Existindo falhas no uso da medicação, os remédios tornam-se ineficazes aumentando o risco de ação das chamadas doenças oportunistas.

Fatores que contribuem para o aumento de casos

A falta de educação sexual, falta de proteção e aumento da promiscuidade nas relações sexuais, são fatores que estão diretamente ligados ao aumento do número de casos de AIDS em Campos Novos, avaliou Radamés Pereira de Mendonça. “De 40 anos pra cá, a gente teve uma maior liberdade sexual e as pessoas tornaram-se promíscuas e essa promiscuidade contribuiu bastante no aumento das doenças sexualmente transmissíveis. É preocupante isso, essa liberdade e início da relação sexual sem orientação prévia, sem a educação sexual adequada, e quem deve orientar é a família, posto de saúde é secundário. Não existe uma conversa franca e direta dos pais com os filhos sobre este início de atividade sexual, isso é subjugado pelos pais hoje”.

A prevenção e o famoso “vacilei”

Embora não existam métodos 100% seguros para evitar o contágio, o uso de camisinha e conhecer seu parceiro sexual, são algumas atitudes que reduzem consideravelmente o risco de contrair AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis. “Você evita muitas doenças com o uso do preservativo, porém, nenhum método anticoncepcional é 100% efetivo. A famosa camisinha não protege 100%, porque o produto pode ser de qualidade inferior e pode ser rompido durante o ato sexual. E quanto maior o número de parceiros, mais risco se tem de contrair doenças sexualmente transmissíveis, isto é matemática, quanto mais você está dentro do tiroteio, mais fácil de ser baleado”, esclareceu o médico.

De acordo com Radamés, na faixa etária entre 15 e 25 anos, a média sobrepõe 20 parceiros sexuais, enquanto nas décadas de 50 a 70, este número chegava a no máximo 2 parceiros, entre a maioria das pessoas.

O médico chama atenção ainda para o famoso “vacilei”, segundo ele, bastante comum na prática sexual nos dias atuais. “Hoje o que mais acontece é o famoso “vacilei”, ou seja, eu saí para a festinha, ingeri bebida alcóolica, usei uma substância ilícita e no outro dia acordei com alguém. Não me protegi, não fiz uso adequado dos métodos de barreira e aí sim, você está com uma exposição maior”.

O alerta vai também para outras doenças sexualmente transmissíveis, como hepatite B e sífilis, que podem ser mais agressivas e lesivas que a AIDS. Estas doenças podem gerar lesões irreversíveis. O crescente número de casos de sífilis é outro fator preocupante em Campos Novos, com 74 notificações.

Testes rápidos

O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito por meio de testes, realizados a partir da coleta de uma amostra de sangue.
Esses testes podem ser realizados em unidades básicas de saúde, em Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e em laboratórios particulares. O teste rápido pode ser feito de forma anônima e gratuita.

“O Ministério da Saúde adotou uma atitude eficaz com a realização dos testes rápidos nas unidades básicas de saúde. Hoje com este método de diagnóstico dentro da própria unidade, o paciente tem todo o apoio necessário. São feitos dentro da unidade básica os testes para as hepatites B e C, o VDRL que constata a presença de sífilis e de HIV”, reforçou.

Soro positivo e portadores de AIDS

O coordenador do Programa DST/AIDS esclareceu ainda sobre a diferença entre soro positivo e portadores de AIDS. “O paciente pode ser soro positivo, ele tem o vírus do HIV, mas ele não gera o problema. O paciente que tem AIDS, ele já desenvolve as doenças oportunistas. O HIV são células que destroem nossas defesas. Quando ele é soro positivo, o paciente ainda tem o efetivo controle sobre seu organismo. Quando estas células se tornam oportunistas, o vírus cresce no organismo, desenvolvem a doença e uma simples amidalite pode se transformar de uma gota em uma tempestade, porque o organismo não tem defesa. Então existe um abismo muito grande entre soro positivo e AIDS. Tem pacientes que são soro positivos e nunca desenvolvem a AIDS, que é a síndrome”, finalizou o médico.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1457 de 01 de Dezembro de 2016.

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