Quarta-feira , 18 Setembro 2019
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Estudo desenvolvido na Unoesc traz nova perspectiva no diagnóstico para fibromialgia

Projeto tem relevância social e clínica. A pesquisa durou aproximadamente três anos, feita por meio da análise da saliva de pacientes portadores da doença.

10-05-2016-fibromialgia1A fibromialgia é uma doença crônica em que a pessoa sente dores por todo o corpo durante longos períodos, com sensibilidade nas articulações, nos músculos, tendões e em outros tecidos. O diagnóstico dessa patologia é baseado na presença de sensibilidade dolorosa, não havendo exames que permitam a sua confirmação.

Pensando nisso, a Unoesc Joaçaba desenvolveu uma pesquisa com o intuito de descobrir possíveis biomarcadores para a fibromialgia. O projeto foi custeado pelo Fundo de Apoio à Pesquisa – Fape, da própria universidade e desenvolvido por Valéria Zardo, Angela Maria Brol, Adarly Kroth, Geisson Marcos Nardi e Glauber Wagner, do curso de Ciências Biológicas.

Conforme o professor Glauber Wagner, da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, o estudo teve início a partir de um projeto de mestrado. “Quando nós iniciamos a conversa com os alunos de mestrado, surgiu a oportunidade de fazermos uma interação entre áreas de conhecimento num estudo interdisciplinar, envolvendo uma aluna de mestrado formada em fisioterapia e com a bagagem do nosso laboratório na época na Unoesc, em trabalhar com proteínas e marcadores que possam ser utilizados no diagnóstico de doenças. Então unimos a área da fisioterapia com a área de proteômica, uma das áreas de estudo de biomarcadores”, explicou.

fibro-1O estudo foi realizado por meio da análise da saliva de pacientes portadores da doença, comparados a indivíduos saudáveis que foram submetidos a sessões de balneoterapia por 10 dias.

A escolha da fibromialgia se deu em função da identificação de mulheres com a doença na região de Piratuba. “Foi em função de uma característica que a pesquisadora, aluna de mestrado Angela Maria Brol, tinha observado na região de Piratuba, em que havia mulheres com diagnóstico reumatológico de fibromialgia. Tinha uma quantidade considerável de mulheres com esta característica. A gente sabe que é uma doença bastante comum ente mulheres”, relatou o professor.

A intenção primária do estudo, afirmou ainda Glauber Wagner, foi verificar a partir de outro estudo desenvolvido por pesquisadores na Itália, algumas proteínas que poderiam ser utilizadas como marcadores da doença. A ideia do projeto, portanto, é propiciar uma avaliação biológica do tratamento fisioterápico da fibromialgia. “Uma avaliação biológica do tratamento fisioterápico, especialmente de hidroterapia. A partir de um diagnóstico reumatológico tradicional de fibromialgia, o paciente é submetido ao tratamento de fisioterapia e esses marcadores podem ser utilizados para acompanhar a evolução. Hoje o tratamento da doença é baseado muito na informação do paciente. A partir dos marcadores podem ser usados parâmetros biológicos na saliva ou no sangue do indivíduo em que podemos avaliar se o paciente está melhorando e isso faz com que se tenha uma capacidade de interpretação melhor do tratamento”, concluiu Glauber, considerando que o estudo aponta para uma alternativa em uma amostragem de população menor, necessitando ser ampliado para ser utilizado na prática clínica.

fibro-2Conforme explicou a professora Adarly Kroth, uma das idealizadoras do projeto, o trabalho tem relevância social e clínica, por se tratar de uma nova proposta de diagnóstico para a fibromialgia. “Embora exista um consenso para o diagnóstico, que na maioria das vezes pode ser falho, a determinação de biomarcadores presentes nesta condição torna mais rápido e confiável o diagnóstico e, consequentemente, acelera o início do tratamento”, afirmou.

Sobre a sua experiência como pesquisadora, Valéria Zardo, bolsista do projeto, relatou que se tratou de uma oportunidade única, em que pôde atuar nas mais diversas áreas do conhecimento. Ela também enfatizou que desenvolver essa pesquisa foi fundamental para a definição de qual área da Biologia irá seguir futuramente. Valéria também comentou que ao desenvolver a pesquisa se sente mais preparada para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), bem como para as adversidades do dia a dia profissional.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1458 de 08 de Dezembro de 2016.

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