Quarta-feira , 18 Setembro 2019
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“O que faz a diferença”

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Antonio Gavazzoni

O que faz um povo prosperar? Educação é a resposta mais óbvia, mas eu diria que o espírito empreendedor faz toda a diferença para o progresso econômico e social de uma nação. Temos o exemplo em nossa própria casa. Moramos num Estado construído sobre o trabalho de homens e mulheres que se vestiram de coragem para criar negócios no fundo de seus quintais com o propósito de sustentar suas famílias. Eles ganharam o mundo. E com seu sucesso acabaram respondendo pelo sustento de inúmeras famílias catarinenses.

Logo me vem à lembrança a história de Adelina Hess de Souza, que em suas viagens atrás de compradores dizia para a filha Sônia que a acompanhava: “eu só vou voltar para casa quando vender a última camisa”. Essa persistência é imprescindível a um empreendedor e foi a grande propulsora do progresso de Santa Catarina nos tempos de outrora. Mas hoje não é mais suficiente. Não vivemos como cinquenta anos atrás. O mundo está muito mais competitivo, só é possível conquistar mercados mundo afora com um ambiente interno favorável aos negócios.

O Índice de Cidades Empreendedoras, divulgado na semana passada pela Endeavor, instituição que apoia empreendedores, mostrou que Santa Catarina está no caminho certo. Temos três cidades na lista das 15 mais favoráveis para negócios: Florianópolis, em 2º, Joinville, em 4º, e Blumenau, em 13º. O ranking considera indicadores que vão da qualificação dos trabalhadores – reflexo das nossas instituições de ensino – até infraestrutura e ambiente regulatório, atribuições dos governos municipais e estadual. Esta é a terceira edição do ranking e a evolução de nossas cidades é constante.

O Governo do Estado de Santa Catarina tem feito sua parte. Somos um dos poucos estados que continua investindo em infraestrutura em meio à crise. Sabemos que nossa tradição de grandes empreendedores só será mantida se o ambiente for favorável. Uma das ações nessa direção é a criação de centros de inovação, que têm como objetivo estimular negócios de alto impacto. O primeiro foi inaugurado neste ano em Lages. Outros estão em construção em Chapecó, Jaraguá do Sul, Joaçaba, São Bento do Sul e Tubarão, Itajaí e Blumenau. Queremos mais catarinenses no topo do ranking de Cidades Empreendedoras.

Santa Catarina conquistou ao longo dos anos o 6º maior PIB brasileiro, mesmo tendo apenas 1% do território e 3% da população nacional. Somos pequenos, mas muito competitivos. A inspiração pode vir de nossos empreendedores do passado, como Adelina Hess, mas não nos faltam exemplos no presente. Ainda temos muitos homens e mulheres corajosos criando empreendimentos com trajetórias bem sucedidas. Volta e meia vemos nos jornais empresas de tecnologia recebendo aportes de capital de investidores renomados – ou mesmo sendo adquiridas por grandes empresas. Quer prova maior de sucesso que o aval do mercado?

Eu torço para que o espírito empreendedor tome conta também da administração pública. Precisamos de gestores e servidores criativos que, em vez de reclamar a falta de recursos, criem soluções para esse que é o maior dos nossos entraves. A estabilidade de emprego não pode ser o único objetivo de quem faz um concurso público. Uma função no governo também não pode ser só um trampolim político para gestores. Temos que ser empreendedores públicos, querer fazer a diferença. Assim faremos de Santa Catarina um estado ainda mais próspero, modelo para o desenvolvimento do Brasil.

Por: Antonio Gavazzoni, Doutor em Direito Público
Secretário de Estado da Fazenda
contatogavazzoni@gmail.com

*Coluna publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1456 de 24 de Novembro de 2016.

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