Terça-feira , 17 Setembro 2019
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Queda na área plantada de feijão

Custo alto de produção, em decorrência da valorização do produto na safra passada e estabilidade da soja, são alguns dos motivos apontados para esta diminuição no plantio.

Marcos Fadel e Helan Paulo Paganini

Na safra 2015/16, quem plantou feijão ganhou dinheiro. Os baixos estoques do produto naquela época, aliada a queda na produção de outras regiões do país, permitiram ganhos consideráveis a todos os produtores da região de Campos Novos, que venderam a até R$ 500,00 um saco do alimento preferido dos brasileiros.

Com a supervalorização do produto na safra anterior, muitos produtores do Brasil aumentarão suas áreas com a cultura. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab, a primeira safra de feijão terá um incremento de 13% de área e uma produção 24,1% superior à safra passada.

Enquanto alguns optam por investir mais na cultura, na região de Campos Novos, acontece o contrário. De acordo com o Engenheiro Agrônomo da Cooperativa Agropecuária Camponovense – Coocam, Helan Paulo Paganini, a área de feijão neste ano, será 20 a 25% menor, em relação à safra anterior, de 8 mil/ha para 6 mil/ha. O motivo? Custo alto de produção, principalmente de sementes certificadas, devido à valorização do produto na safra anterior, baixa expectativa de melhores preços e estabilidade da cultura da soja.

“Os produtores investem no feijão para escalonar plantio. Nesta safra, há diminuição de área pelo custo alto de produção. Vemos hoje, que quem planta feijão é aquele produtor profissional, que busca produzir bem, para ter um retorno financeiro. Na Coocam teremos uma área de 1.200 hectares, destes 6 mil/ha implantados, e a expectativa é de uma safra produtiva”, ressaltou Helan.

O produtor Marcos Fadel, da Fazenda Terra e Sol, destaca que o principal motivo de semear a cultura está relacionado ao escalonamento de plantio e também pela janela maior de plantio. A cultura pode ser plantada até janeiro na região. Repetir a produção da safra passada é um desejo do produtor. “Na safra passada tivemos a melhor safra da vida. Igual à safra passada vai ser difícil, tanto pela produção média que tivemos na fazenda, como em preço do produto. Investimos na cultura pela rotação e também pela época de plantio”.

Marcos é realista e não se anima muito nesta safra. “Se fosse pensar em estabilidade, teria investido em soja, mas no feijão, você precisa fazer sua parte no campo, colher bem e vender, para depois saber se foi uma boa safra. Quem estabelece o preço é o mercado e neste ano, ainda temos um aumento de área plantada no Brasil, o que pode baixar o valor do produto”, ressaltou. Na safra passada a média de produção de Marcos Fadel foi de 45 sacos/ha, e ele espera manter esta produtividade. “Lavoura de feijão é cara. O custo passa de R$ 4 mil”, enfatizou.

O produtor lembra ainda que a cultura do feijão deixou de ser plantada pelos pequenos agricultores. “O pequeno produtor deixou de plantar feijão pelo alto custo de produção. Aquele aventureiro também não planta mais. Mas como no feijão não se pode pensar em preço e sim produzir, nós investimos na cultura. Como no ano passado não tínhamos boas expectativas e fomos surpreendidos, esperamos que esta safra também seja boa”, finalizou Marcos.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1460 de 22 de dezembro de 2016.

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