Segunda-feira , 24 Setembro 2018
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Baixa procura nos postos de saúde lota atendimento no Hospital

População precisa se conscientizar de que o Hospital deve ser procurado apenas em casos de urgência e emergência.

Entre as principais demandas de um município, provavelmente a saúde é a mais importante para a população, por isso se o setor de saúde está indo mal logo começam as reclamações. Em Campos Novos não é diferente, a reclamação sobre a demora no atendimento do hospital Dr. José Athanázio já chegou até a ser pauta na Câmara de Vereadores. No entanto a equipe do hospital afirma que isso se dá porque a maioria dos atendimentos procurados não se configuram como casos de urgência e emergência, e que deveriam ser tratados nas Unidades de Saúde da Família, as ESFs. Com a baixa procura por consultas nos postos, algumas pessoas acabam superlotando o hospital e causando uma demora no atendimento.

O diretor técnico do Hospital Dr. José Athanázio, Euclides Dall’Oglio Júnior, relata que no município existem 8 Esf’s e ainda tem o Pronto Atendimento Médico, o PAM, mas segundo as informações do sistema de saúde, a procura por atendimento nos postos tem sido muito baixa. “Pelo que vemos acompanhando as pessoas querem fazer o atalho, como, por exemplo, quem tem dores crônicas acaba procurando a emergência quando elas poderiam ir ao posto de saúde. Isso gera uma alta demanda, e faz com que o atendimento se torne mais demorado e quem realmente esta precisando fica na espera. Tem tardes em que os postos de saúde não chegam a 5 consultas. Já no hospital vemos de 30 a 40 consultas num período de três horas, ou seja, a emergência fica afogada”, afirma. Ainda segundo o diretor técnico a população precisa se conscientizar de que o hospital deve ser procurado apenas nos casos de urgência e emergência. “Alguns pacientes são consultados três vezes no mesmo dia, e esse tipo de coisa acaba atrapalhando quem realmente precisa de ajuda. Nunca deixamos propositalmente um paciente esperando duas horas para ser atendido. Mas a prioridade do hospital são os casos mais graves”, reitera.

O Hospital Dr. José Athanázio realiza diariamente, em média, cerca de 120 atendimentos, mas destes números apenas 10% era considerado urgência e emergência, os demais poderiam ter sido atendidos nos postos de saúde. A gerente de enfermagem do hospital, Maria Lídia, afirma que o atendimento realizado nos postos de saúde seria mais eficaz, pois no posto as pessoas podem fazer um acompanhamento do caso e evoluir para um diagnóstico mais preciso. Além dos postos de saúde o município também conta com o PAM, que atualmente, está com um segundo médico, para atender na hora em que os postos estão fechados de 18h as 22h, com o objetivo de desafogar o atendimento no hospital.

Para melhorar este quadro o plano da administração era implantar o protocolo de Manchester, ou sistema de triagem, aonde seria feito a classificação de risco baseado nas cores das pulseiras dos pacientes que indicaria a urgência dos casos. O sistema ainda não foi colocado em prática devido a falta de enfermeiros e a impossibilidade de contratação, em vista da lei de cargos e salários que limita o numero de enfermeiros. O diretor técnico relembrou que a não aprovação da contratação de uma Organização Social na Câmara de Vereadores inviabilizou uma melhora na dinâmica de gestão. Agora a administração pretende enviar para a Câmara um pedido de mudança de plano de cargos e salários para aumentar o número de enfermeiros. “O primeiro plano era a OS, que foi rejeitada na Câmara, que facilitaria o serviço, pois fugiria do plano de cargos e salários e tem contratação imediata de acordo com a demanda. Mas pelo fato de ser público, a lei de cargos e salários nos limita”, afirma o diretor que prossegue dizendo que a meta é implantar o sistema de triagem até o final do ano. “Esse sistema irá concientizar o paciente e será possível fazer um atendimento mais humanizado”.

Apesar das dificuldades, o administrador geral do hospital, Dr. Stevan Bohneberger, relata que o hospital aumentou em média 30% o atendimento. E ainda aumentou o número de médicos. E a partir da conclusão da reforma e após equipar os demais setores médicos o número de cirurgias eletivas irá aumentar. É importante ressaltar que o Hospital Dr. José Athanázio atende os demais municípios que compõe a Amplasc e ainda o município de Ibiam, que após acordo entre os municípios passou a ter o hospital como referência no atendimento de emergência. De acordo com o sistema de informações do hospital nos últimos seis meses foram realizados 1.398 atendimentos oriundos dos municípios da Amplasc de Ibiam, e em Campos Novos foram 22.408 atendimentos de emergência. Atualmente o hospital conta com sobreaviso 24 horas nas especialidades de ortopedia, obstetrícia, pediatria, cirurgia geral, clínica médica e anestesista, além do sobreaviso de ultrassonografia nos finais de semana para urgência e emergência.

Um investimento desnecessário?

Criticada por alguns moradores como um investimento desnecessário, a reforma da fachada do Hospital Dr. José Athanázio está em andamento e até final do ano deverá ser concluída. No entanto, o diretor técnico, Euclides Dall’Oglio, diz que a reforma é de grande importância para o hospital pois reflete na condição de trabalho dos profissionais e trará um ambiente mais acolhedor para as pessoas. “Os funcionários do hospital e a população quer e precisa de um ambiente e de uma estrutura melhor, para que todos se sintam bem acolhidos. O ambiente de trabalho é importante”, defende. As obras no hospital também inclui a sala de triagem que, segundo dizem, irá melhorar o atendimento.

Além disso, estão sendo adquiridos mais equipamentos, que foram pensados após uma reunião com o corpo clínico em que cada especialidade sugeriu prioridades em equipamentos, desde a pediatria, ginecologia, cirurgia, clínica. “Estamos esperando essa lista de aparelhos, como carrinhos de anestesia, eletrocardiograma, respirador, equipamentos que nós nem tínhamos ou estavam em defasagem. Estamos trazendo isso junto com a reforma estrutural para ficar um ambiente de trabalho bom, bonito e acolhedor, e a aquisição de equipamentos novos para um atendimento mais aprimorado”, conclui.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1545 de 06 de Setembro de 2018.

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