Terça-feira , 16 Outubro 2018
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Jovens politizados em prol da reeducação governamental – Parte 1

Camila Soares Borges

Olá, jovens sedentos pelo saber! Hoje trago a vocês um assunto de extrema importância visto que as palavras desta coluna dizem respeito ao cenário em que nos inserimos atualmente e põe em xeque o destino dos próximos quatro anos e quiçá, toda uma ideologia existencial. A partir de uma explanação simplificada irei discorrer sobre um tema que infelizmente está “machucado” em nossas concepções, mas que deve ter seu verdadeiro significado reavivado e compreendido, sem mistificação.

Se você, jovem, está antenado aos meios de comunicação, percebe o tilintar de candidatos por todas as veredas, fazendo propagandas de seus ideais, compondo discursos, posts, propagandas, outdoors, debates, discussões, e aposto uma barrinha de chocolate, que em algum momento você já pensou: “nossa, que chatice isto”, “desnecessário este tempo diário de propaganda na televisão”, “política é só ladroagem”, “por que votar? São todos corruptos” e o pior: “eu não tenho nada a ver com política”. Essas afirmações, infelizmente, remontam o cotidiano de muitos jovens e talvez até adultos, mas confesso-lhes que ao ouvi-las, uma aflição me toma por completo.

É extremamente equivocado, principalmente nós, adolescentes, pensarmos que por sermos novos ou talvez não termos idade para fazermos o Título de Eleitor, não temos a ver com política. Imaginem a seguinte situação: seis horas da manhã o celular toca, você toma café, pega o transporte e vai à escola. Absolutamente tudo isso que narrei anteriormente, é política. Desde o horário estabelecido para abrirem instituições públicas, como uma unidade escolar, a origem, transporte, importação e os valores dos produtos que você consome no café da manhã, o preço na passagem de ônibus, a qualidade das estradas, o nível educacional, as roupas e uniformes! Tudo o que nos cerca foram pontos em algum momento da história debatidos, que passaram por uma decisão política, votações, análises e hoje interferem diariamente em nossas vidas.

Quando nos referimos à compra e venda? Política! As leis, direitos e deveres? Política! Os conteúdos que estudamos na grade curricular? Política! Se hoje você pode acessar uma página na internet e ouvir Ariana Grande, Dua Lipa, K-pop ou Aurora, é também política! Qualquer governo de qualquer país que tivesse um controle maior sobre a internet poderia muito bem impedir interações, e se você tivesse nascido em outro local da face da Terra, talvez hoje jamais pudesse ter assistido Greys Anatomy… Então, ainda acha que não quer se envolver com política, que é algo chato, desnecessário e que não tem nada a ver com você?

Outra citação muito dita por aí, que faz alusão a política é “votar para quê? O Brasil não tem jeito mesmo! ” Mas não fale assim, por favor. Nosso país é maravilhoso, possui riquezas que várias outras nações almejam ter. Já pararam para pensar em nossas dificuldades com relação a outras nações? Apenas cento e noventa e seis anos que somos uma nação independente, cento e vinte e nove anos que somos república, uma democracia efetivada que não ultrapassam trinta anos e mesmo assim, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil encontra-se como o terceiro maior exportador agrícola do mundo, estando apenas atrás dos Estados Unidos e União Europeia; o Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo, com duzentas e catorze milhões de cabeças; somos a oitava maior economia mundial; temos o maior sistema bancário do planeta; somos a terceira maior democracia do mundo; o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas; é um dos maiores produtores de conhecimento…

Há obviamente, muitas melhorias que podem ser feitas, mas pouco tempo antes de morrer, Dom Pedro II narra em uma carta que mesmo passando por vários locais do mundo jamais viu um povo tão guerreiro quanto os brasileiros! A indagação que fica é: em que momento esse povo guerreiro se perdeu? Devemos abandonar o hábito de APENAS citar a corrupção política ao descrever nosso país. Então, jovens, tenham claro em suas mentes que precisamos da política, ela compõe tudo o que nos cerca e o Brasil possui muitos pontos positivos que devem ser cada vez mais enaltecidos. Agora, gostaria de convidá-los à compreensão de que a política não é um bicho de sete cabeças. Ou pelo menos não deveria ser.

Infelizmente, algumas leis não são claras, a linguagem é complicada de se compreender, determinados discursos são meio enrolados, e quando não sabemos algo direito, não queremos passar por idiotas e acabamos não nos metendo. Não dominarmos assuntos políticos é o mesmo que dar mais poder aos que comandam. Que sorte para os governantes que os homens não pensem! Os governantes são os administradores do nosso dinheiro, e se queremos reivindicar algo, precisamos ter conhecimento para fundamentarmos bons argumentos e apresentar cabíveis possibilidades. Política é, sobretudo, um sistema que visa administrar -ou pelo menos deveria administrar- verbas em prol do bem comum. E para que esse papel seja efetivado, é necessário estarmos atentos e informados sobre o que os administradores públicos fazem com nosso dinheiro. A palavra central em uma organização política é participação.

Acompanhem a continuação do nosso papo na minha próxima coluna…

Por: Camila Soares Borges
Estudante

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1547 de 20 de Setembro de 2018.

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