Terça-feira , 13 Novembro 2018
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Ações de saúde voltadas para o rastreamento do câncer de mama

Médica explica os passos para o diagnóstico precoce da doença

O mês de outubro começou e junto com ele foi iniciada a Campanha Outubro Rosa, um movimento mundial que cada vez mais tem ganhado força porque apresenta um assunto que é de séria preocupação para todas as mulheres: o câncer de mama. O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais na mama que forma um tumor. Existem vários tipos de câncer de mama, alguns se desenvolvem mais rápido, outros se desenvolvem mais lentamente, e se não for logo tratado pode levar a morte. Estima-se que surjam cerca de 59 mil casos deste tipo de câncer nos próximos anos. Na região Sul a cada 100 mulheres, provavelmente 73 terão o câncer de mama, segundo estatísticas do Instituto Nacional do Câncer.

As ações de saúde promovidas e preconizadas pelo Ministério da Saúde para a prevenção envolvem três importantes passos a serem seguidos pelas mulheres. A médica Andrea Alves conversou com o jornal O Celeiro e explicou as etapas envolvidas nas ações de saúde para a prevenção e o diagnóstico precoce favorecendo a cura do câncer. “O número de casos nos últimos anos tem aumentado e a mortalidade também, portanto o objetivo das ações de saúde é contribuir para o diagnóstico precoce. É preciso procurar a doença, não podemos esperar ela se manifestar, porque os riscos são maiores”, destaca. O, primeiro passo dado, de acordo com a Dra. Andrea, é o autoexame que deve ser feito pela própria mulher ou por um profissional de saúde.

O autoexame deve ser feito por todas as mulheres, mas principalmente para as mulheres a partir dos 30 anos e que apresentam fatores de risco. O momento mais apropriado para fazer o autoexame é após o fim da menstruação. Existem diferentes fases do ciclo menstrual e essas fases aumentam os níveis hormonais que interferem diretamente no tecido mamário. Apesar de ser uma doença que afeta principalmente as mulheres, é possível que os homens sejam acometidos com o câncer de mama. Em Campos Novos existem registros de casos em homens. Quem tiver alguma dúvida sobre o autoexame pode ir até um posto de saúde e solicitar uma consulta com um enfermeiro, que também está habilitado para realizar o exame das mamas e poderá avaliar se há alguma alteração e se houver ele irá encaminhar para uma avaliação com o médico que solicitará um exame mais preciso. O exame mais indicado é a mamografia, que é o segundo passo no rastreamento da doença, este exame pode ser feito gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

A mamografia é o exame mais eficaz para rastreamento e diagnóstico do câncer de mama. O Ministério da Saúde no Brasil preconiza que se a mulher não tem nenhum histórico de câncer de mama na família e não apresentou nódulos no toque ou alguma alteração a mamografia deve ser feita dos 50 aos 69 anos a cada dois anos. Se for uma paciente de risco a mamografia deverá ser feita a partir dos 35 anos de idade a cada dois anos, ou anualmente após os 50 anos. A mamografia é um raio X das mamas que detecta a presença de nódulos, mesmo que sejam mínimos. Ao realizar este segundo passo e havendo o diagnóstico de nódulos ou outras alterações, os médicos indicam a ultrassonografia, que é o terceiro passo.

A ultrassonografia deve ser feita por solicitação médica sempre após a mamografia, pois este é um exame complementar que facilita a investigação da situação dos nódulos, através dele é possível ver se há irrigação sanguínea, o tamanho do nódulo, a localização precisa, ou se há presença de coleções líquidas, em caso de cistos. Alguns pacientes preferem pular etapas, por acharem que a mamografia é desconfortável, eles optam por fazer a ultrassonografia logo após o exame do toque das mamas, mas esta não é a recomendação do MS. “Do ponto de vista médico a ultrassonografia não é melhor que a mamografia para rastrear câncer de mama, porque a mamografia é mais específica em captar nódulos sólidos e a ultrassonografia é mais especifica para cistos com conteúdo líquido. A ultrassom nunca substitui a mamografia. No exame de ultrassom a margem de erro é maior, para nódulos sólidos, principalmente em função do tamanho, onde na mamografia a margem de erro é mínima”, explica a médica.

O paciente diagnosticado com o câncer terá que monitorar constantemente, com a ajuda de médicos, sua saúde e realizar a mamografia a cada seis meses para avaliar se o câncer voltou. De acordo com a Dra. Andrea há um índice muito alto de recidiva do câncer, por isso o paciente precisa se comprometer com sua saúde e investigar se as células cancerígenas apareceram novamente. O cuidado deve ser constante. Mas atualmente com os avanços da medicina é possível ser bem-sucedido na luta contra o câncer e as mulheres devem estar cientes de todos os recursos, a maioria gratuitos, que estão disponíveis para ajuda-las a ter uma vida saudável. Portanto as mulheres precisam compreender e respeitar as ações de saúdes citadas na matéria.

Fatores de Risco

Antes o câncer de mama era associado apenas a pessoas do sexo feminino e acima dos 50 anos. Hoje já é possível ver casos em homens e em mulheres jovens. Alguns desses acontecem em pacientes que estão em situação de risco. O fator genético é um deles, pacientes que tem familiares que tem ou já tiveram o câncer devem aumentar a atenção, pois são possíveis candidatos a ter a doença.

Outro fator de risco é apresentado por mulheres que fazem terapia de reposição hormonal no período da menopausa. Na chegada da menopausa muitas mulheres apresentam sintomas indesejáveis e optam pela recarga de hormônios, mas essa reposição pode trazer efeitos colaterais sérios, como câncer de ovário, câncer do endométrio e o câncer de mama. Pessoas que se enquadram nesta situação devem redobrar os cuidados e buscar ajuda na prevenção de doenças, sempre devidamente orientados por profissionais da área da saúde

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1550 de 11 de Outubro de 2018.

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