Segunda-feira , 17 Dezembro 2018
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Geração esperançosa ou desacreditada? Quando os extremos se tocam, a reflexão é necessária

Camila Borges

Olá, jovens sedentos pelo saber! Não acham que o clima anda tenso? Vésperas conclusivas do ano, fechamentos de média, trabalhos finais, provas para ingresso em universidades e escolas, eleições nacionais, formaturas, viagens, finais de campeonatos, despedidas…. Quantas expectativas foram alimentadas e quão provavelmente, decepcionados estamos. Depositamos muitas esperanças e acreditamos com todas as nossas forças que ao final tudo daria certo. Mas e se por acaso não sair exatamente como queremos?

Estes dias eu estava revisando alguns fatos marcantes da Idade Média e encontrei dentre eles a Guerra dos Cem Anos (que acreditem, durou mais do que cem anos) e em meio à enxurrada de datas, locais, batalhas e desavenças entre reis, encontrei grifado o nome de Joana d’Arc, com um parêntese a intitulando Santa Padroeira da França.

Ora, nada mais comum do que chamar-se atenção, em universo dominado por sangue e batalhas, o que uma mulher poderia estar fazendo junto disso? O fato é que Joana era filha de camponeses, não sabia ler nem escrever, mas possuía uma fé gigantesca, que lhe proporcionou aos dezessete anos entrar em contato com o rei da França que lhe concedeu a liderança do exército durante a guerra contra os ingleses.

Uma mulher! Na época em que o conservadorismo reinava em absoluto, que o feudalismo e as divisões hierárquicas faziam-se presentes com vassalos e condes, uma figura feminina com os cabelos cortados e trajes de homem, em meio às batalhas, estava liderando soldados e lutando pelo seu povo e país!

Mas, infelizmente, Joana acabou morrendo injustamente, foi capturada e julgada por heresia pelos ingleses, mas seu nome compõe a lista das mulheres mais extraordinárias da história. Porque se opôs aos padrões da época e acreditou que a vitória seria possível mesmo quando todos pensavam ao contrário. Que exemplo!

Quando somos jovens é normal nos sentirmos perdidos em meio um mundo de cobranças desenfreados e muitas vezes nos perguntamos se nossos esforços valem a pena e o pior de tudo, perdemos esperanças. Porém, é importante traçarmos metas e nos inspirarmos em pessoas que foram grandes. Eu poderia discorrer aqui uma lista de todas (no caso mulheres) que admiro e com certeza, quando me sinto fraca penso que se elas conseguiram, também conseguirei.

Joana empoderava seu exército, mostrava o quão incrível eram, que podiam ter tudo aquilo que queriam e acreditava em si mesma. Assim, conquistavam a vitória. Nós, leitores, também precisamos agir de tal modo.

Não é necessário sairmos derramando sangue por aí, mas devemos acreditar que há jeito. Que tem salvação. Que sonhos não são bobagens. Que nossa família, cidade, país e planeta podem ser locais melhores. Que a exemplo de Joana, precisamos ser a mudança que tanto buscamos, não depositando o título a um “salvador da pátria” e apenas cruzarmos os braços! Precisamos ser uma geração que possui esperança, mas que luta pela melhoria a todos os instantes. Quebrando barreiras, desafiando grandes, incentivando as pessoas a lutarem por aquilo que acreditam e continuar com passo firme e cabeça erguida mesmo quando os outros já desistiram.

Para conseguirmos chegar a grandes mudanças, precisamos começar com pequenas. Alterando primeiramente nossa realidade, das pessoas à nossa volta e criando correntes em prol das causas que buscamos.

Por mais que esteja difícil, não podemos perder nossa fé.

Joana dizia: “Não tenho medo, eu nasci para fazer isso”.

Por: Camila Soares Borges -Estudante

*Coluna publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1555 de 15 de Novembro de 2018.

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