Quarta-feira , 21 Agosto 2019
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Aumento da longevidade reflete no número de idosos do município

Audiência discutiu sobre ações mais efetivas para o acolhimento de idosos.

A Câmara Municipal de Vereadores abriu as portas, na noite da última sexta-feira (24), para realizar uma audiência pública sobre o Atendimento e Acolhimento dos Idosos no município de Campos Novos. A ideia surgiu após realização do Diagnóstico da Pessoa Idosa, realizado pela Instituto Humaniza em parceria com a Enercan e o Conselho Municipal do Idoso. Com base nos dados apurados, detectou-se que há um crescimento vertiginoso no número de idosos no município. Campos Novos está acima da proporção da média brasileira de idosos. Aqui as pessoas estão envelhecendo mais e por mais tempo, portanto, aumenta-se a necessidade de um trabalho mais efetivo em prol das pessoas mais velhas. Para debater essa situação, estiveram presentes alguns vereadores, representantes da Administração Municipal, membros do Conselho Municipal do Idosos e do palestrante Fábio Marcelo Matos, que veio de Blumenau, cidade referência no atendimento ao idoso, que discursou sobre a importância de implantações de políticas públicas voltadas a terceira idade.

A presidente do Conselho do Idoso, Rita Zoldan, em seu discurso refletiu sobre os desafios das famílias ao cuidar do idoso, e reforçou a importância de ações conjuntas para propiciar melhores condições àqueles que já não tem mais tanto vigor. “Cuidar do idosos requer dedicação, persistência, parecerias, planejamento, o apoio das famílias, órgão públicos, privados e de autoridades que abracem essa causa. Enquanto cidadão, enquanto filho, enquanto sociedade é prioridade cuidar deles. Eles precisam ter todos os direitos preservados, ter liberdade, autonomia e independência e suportes de apoio diante das fragilidades do idoso. Precisamos ajuda-los a viver e ser protagonista da sua própria história. A revolução da longevidade traz consequências sociais que exigem políticas públicas especificas e não mais ações isoladas. É no município que grande parte desses direitos se efetiva, porque é lá que nós enfrentamos a realidade de cada idoso”, discursou Rita.

Entre as ações sugeridas por ela estão o planejamento de políticas públicas que contemplem parcerias entre todos os programas sociais, a intensificação de grupos com atividades em associações, bairros e distritos, programas de prevenção e saúde do corpo e da mente, maior entrosamento e trabalho em rede intersetorial, programa de educação para o envelhecimento e atendimento humanizado. “O atendimento ao idoso deve ser prioridade, é a lei. A longevidade cria novas necessidades que requerem medidas urgentes e demandam soluções por meio de políticas integradas, próprias e especificas, daí a importância do Conselho Municipal de Direito do Idoso no município, no auxilio e defesa desses e sobre tudo no alerta e combate à violência contra idoso, e quando por sua vulnerabilidade constituem como cidadãos que, além dos direitos comuns a todos, são merecedores dos direitos especiais. A gestão atual faz um bom trabalho, mas ainda é muito pouco”, reforçou a presidente.

A fala de Rita foi seguida pelo palestrante, Fábio Marcelo Matos, que é fisioterapeuta, mestre e doutor na área do envelhecimento humano. Em seu discurso, o professor explanou as estatísticas, a importância deste debate e falou projetos que existem em Blumenau e que poderiam ser implantados em Campos Novos, principalmente pelo fato de o município já ter realizado o diagnóstico, que é um dos primeiros passos para que medidas em benefício do idoso sejam adotadas, afinal todas as pessoas irão envelhecer um dia e irão se beneficiar destas ações. “Ai do município que não dá atenção a essa questão. Advogar pelos idosos é advogar em causa própria. Todos que estão aqui estão envelhecendo. Aos 30 anos começamos a envelhecer”, iniciou. Porém. ele reconhece que o Brasil ainda não está preparado para lidar com essa leva de idosos que tem aumentado. “Existem trabalhos isolados, mas não são suficientes para atender as demandas necessárias. Para 2020 é provável que teremos o dobro de idosos que tem hoje, a projeção é que hajam 31,8 milhões de pessoas idosas, praticamente 15% da população no Brasil será idosa. Este dado traz consequências muito importantes. As iniciativas devem partir do município. A estimativa é que em Santa Catarina tenham cerca de 900 mil idosos”, destacou.

Com o tempo a capacidade funcional de todo ser humano vai declinando, para tanto é importante que haja condições de propiciar qualidade de vida e melhores condições para que seja possível manter a capacidade funcional por mais tempo. Com o diagnóstico em mãos, é mais fácil ordenar ações mais efetivas. O professor destacou a importância dos Conselhos municipais para fazer valer as politicas públicas nos municípios. “O Brasil está cheio de políticas públicas, não precisam mais, elas precisam ser colocadas em prática. Infelizmente não é isso que acontece. Os conselhos vieram para ajustar as normativas e solicitar a ajuda efetiva. Os municípios que tem um Conselho do Idoso atuante podem tornar mais efetiva as políticas públicas”, pontuou, afirmando que hoje muito se evolui através das leis e da criação do Estatuto do Idoso que contribui para que as leis fossem melhor entendidas e aplicadas.

Para que a situação ultrapasse as barreiras dos discursos e venha a se tornar uma realidade é preciso que todos os setores estejam engajados na busca por condições dignas que permitam aos idosos ter uma velhice mais ativa e saudável. “É preciso promover o envelhecimento ativo, que gera um envelhecimento positivo e, consequentemente, leva a melhores indicadores e diminui os problemas, como a depressão e suicídio na velhice. Blumenau é uma das cidades que se destaca por suas iniciativas voltadas para o bem-estar do idoso, fato que a permitiu conquistar três certificações internacionais. São verificados: É analisado o ambiente físico, acessibilidade, transporte, moradia, oportunidades para participação dos programas, respeito e inclusão social, comunicação e informação, oportunidades para aprender, apoio, saúde e cuidado.

Para o professor, Campos Novos tem um grande potencial para se tornar uma das poucas cidades no estado a conquistar essas certificações e se tornar um município referência nesse quesito. “Campos Novos tem tudo para atingir metas e conquistar certificações nas questões envolvendo os idosos. Com o diagnóstico já feito vocês já deram um passo”, afirmou, incentivando todos os presentes a lutar por essa causa. Depois da realização diagnostico o próximo passo é levantar sugestões e recursos para a concretização de um Lar dos Idosos no Município.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1580 de 30 de Maio de 2019.

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