Quarta-feira , 22 Maio 2019
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Cabanha Ponche Verde completa 38 anos de história

Durante este período a cabanha contribuiu para o melhoramento genético na pecuária local

Jair Noriler e a esposa Arlete

O experiente médico veterinário Jair Noriler e sua esposa Arlete relataram e relembraram com alegria a história da Cabanha Ponche que completa neste ano 38 anos. Localizada na Comunidade do Ibicuí, a cabanha hoje é referência na criação da raça bovina Charolês e na raça de ovinos Hampshire Down. Na casa construída por Jair é possível ver logo de cara as inúmeras premiações conquistadas pelo proprietário nas exposições em que participou pelo estado de Santa Catarina durante esses anos. “Perdi a conta de quantas exposições eu já participei e de quantos títulos conquistamos”, diz. Mas nem tudo foi fácil, e Jair contou ao jornal O Celeiro como tudo começou.

O ano de 1981 foi decisivo para Jair Noriler, pois foi nesta época que ele decidiu investir e criar a Cabanha Poncho Verde, nome que ele escolheu devido aos montes verdes presentes em sua propriedade que o lembravam a paisagem de cidades do Rio Grande do Sul. As ovelhas da raça Hampshire foram as primeiras criações da Jair, que as ganhou como forma de pagamento por um trabalho freelance como veterinário em uma exposição. Daí em diante ele tomou gosto para investir no projeto que era um grande sonho que estava se tornando realidade.

Após o investimento nas ovelhinhas, Jair optou também pela criação de bovinos Charolês, raça pura a qual Jair viu grande vantagem e potencial de crescimento. “Eu queria criar animais puros, nós não os tínhamos aqui na região, íamos buscar no Rio Grande do Sul. Então eu decidi fazer essa cabanha. O espaço da minha área era propício para criar animais puros. Analisando o mercado eu optei pelo charolês. Os frigoríficos preferiam os bois que pesavam mais. E o charolês tem essas características”, explicou, dizendo também que foram altos os investimentos para a compra dos animais. “As primeiras vacas que comprei foram uma fortuna, fiz um financiamento e fiquei pagando por anos”.

Se houve desafios nesta trajetória? “Muitos!” Ele conta que foi preciso muita persistência para continuar e acreditar que tudo daria certo. “Foi bem difícil, principalmente no início, quando sofríamos por causa das péssimas condições das estradas. Problemas com roubo de animais, predadores de ovelhas, e a luta para defender os animais de doenças são algumas das dificuldades”, relatou. Ainda foi pontuada as questões relacionadas ao mercado oscilante no qual nem sempre é possível ter o retorno dos recursos investidos.

Cabanha hoje é referência na criação da raça bovina Charolês e na raça de ovinos Hampshire Down

Mesmo com as dificuldades, Jair não desistiu e se manteve firme a frente de sua cabanha. Valeu a pena todo o esforço empregado? Com convicção Jair afirma que todo esforço foi válido, e relembra que seu trabalho foi muito significativo e de grande importância para a pecuária da região em virtude de todos os estudos e evolução propiciados pelas tecnologias de melhoramento genético permitindo aos criadores obter animais com características cada vez melhores. “Tenho consciência de que eu contribuí para o melhoramento genético dos animais da pecuária da nossa região. Hoje o cidadão tem animais bons e de padrão alto. Antes esses animais eram conseguidos apenas no Rio Grande do Sul, e por isso os gastos eram maiores, agora podemos encontrar estes animais aqui. Houve um crescimento neste sentido muito grande. Ovelha não se ouvia falar de pura. Eu fui o primeiro a trazer ovelha pura pra cá” declarou.

O investimento em tecnologia trouxe uma evolução muito grande para a agropecuária no que diz respeito ao tempo de criação dos animais e na qualidade da carne permitindo que os criadores obtenham um giro financeiro mais rápido. Por meio de processos biotecnológicos de inseminação artificial é possível promover de forma mais simples e rápidas o melhoramento genético nos animais. Esse tipo de técnica auxilia no controle de doenças, prevenção de acidentes, na prática do cruzamento entre raças, controle zootécnico e padronização do rebanho.

A Cabanha Ponche Verde, com 30 anos de tradição, tem desenvolvido um trabalho nesta área disponibilizando aos clientes os melhores animais do mercado com genética apurada por anos a fio com critérios técnicos e garantias. “Se um animal adquirido apresentar algum problema como infertilidade ou anomalias ocorridas o cliente é imediatamente ressarcido, ou terá o animal trocado por outro do seu gosto. Isto raramente ocorre, mas quando ocorre nossos clientes sabem que aqui tem garantia Não é à toa que estamos há 38 anos satisfazendo nossos clientes”, afirma Jair, que concentra seus negócios na venda de animais para genética e venda de sêmen.

Para obter resultados de qualidade, Jair não economiza na alimentação dos animais e mantem uma equipe para promover os melhores cuidados a sua criação. “O investimento é alto. Para criar gado e ovelha de elite é um investimento também em conhecimento. Os cabanheiros precisam de conhecimento e profissionais preparados como veterinários para cuidar de tudo. É um cuidado diário por causa dos valores dos animais. Perder um animal é grande custo. Não tem a ver com a quantidade de animais, mas com o valor agregado em cada animal”, explica.

A esposa de Jair, Arlete Noriler, acompanha e ajuda o marido nas atividades frente a Cabanha. Além de estar presente nas exposições na qual a Cabanha Ponche Verde participa, ela colabora preparando os animais e torcendo por bons resultados. “Estou sempre junto a ele, e nas exposições a gente torce bastante. É gratificante ver os resultados”, conta Arlete. Juntos, eles continuam firmes e fortes trabalhando para continuar contribuindo com a agropecuária através da Cabanha Ponche Verde.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1576 de 02 de Maio de 2019.

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