Quarta-feira , 22 Maio 2019
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Desafio das mães: Como fazer meu bebê dormir bem?

Rotina com a criança precisa ser estabelecida para conseguir e manter a qualidade de sono

Um sonho se realizou, o bebê nasceu! As mães de primeira viagem não se contêm de alegria ao ter seus pequenos nos braços. Apesar de toda a emoção, as mães não escondem que esta também é uma fase difícil. Na semana passada o jornal O Celeiro publicou uma matéria falando sobre a expectativa do primeiro encontro entre mãe e filho. Duas mamães relataram os problemas que tiveram na gravidez, um deles foi a dificuldade para encontrar uma posição para dormir, o que prejudicava a qualidade no sono da gestante. Bem, a notícia é que as noites vão continuar sendo difíceis, pois os bebês funcionam como verdadeiros despertadores, e quando querem mamar não hesitam em chorar alto. Seria ótimo se simplesmente colocassem o bebê no berço e ele já caísse num sono profundo e acordasse somente no outro dia. Mas calma, tudo não passa de uma fase, e com algumas atitudes é possível estabelecer uma rotina que irá propiciar qualidade de sono para mãe e filho.

O primeiro passo para lidar com essa situação é compreender as reais necessidade da criança. A médica pediatra Juliana Nardelli, que atua em Campos Novos no Centro Médico Minha Essência, conversou com a equipe do jornal O Celeiro e contou um pouco sobre esses desafios e quais medidas podem ser eficazes para melhorar o período de sono do bebê. Nos primeiros meses é importante que os pais saibam que a criança tem a necessidade fisiológica de se alimentar a cada duas ou três horas. Portanto, é bom ser realista e saber que será preciso interromper o sono para amamentar a criança. Se o bebê estiver se desenvolvendo bem, após os três meses o sono dele ficará mais regularizado e aos poucos os intervalos entre uma mamada e outra serão maiores, e ele dormirá por mais tempo. Porém, o sono do bebê deverá ficar mais consolidado a partir dos 12 meses. “Isso não significa que o bebê vai ficar acordando a noite inteira até os 12 meses. Significa que os ciclos do sono vão se estabilizar após os 12 meses, dependendo da rotina da família”, afirma. Se após essa fase a criança, mesmo se desenvolvendo bem, continuar a acordar de três em três horas para mamar, a médica alerta sobre os riscos de obesidade.

No entanto, Dra. Juliana esclarece que o sono do bebê não se estabiliza por si só, é preciso que a rotina dele seja estabelecida e a família deverá contribuir para isso. A médica relata que cerca de 95% das famílias não tem uma rotina adequada, fato que faz com que a criança acorde constantemente, diminuindo a qualidade de sono da mãe e da criança. A pediatra recomenda para os pais o que ela chama de ‘higiene do sono’, que envolve uma pequena lista de ações que favorecem e estimulam o sono da criança durante o ritual do sono que deve começar cerca de uma a duas horas antes de colocar a criança no berço ou na cama.

Juliana Nardelli

A higiene do sono pode começar por estabelecer um horário especifico para dormir, no caso das crianças a pediatra recomenda que a partir das 20h elas devem ser colocadas para dormir. “O ambiente do sono precisa ser adequado para o bebê. É importante que este ambiente tenha pouquíssimo ruídos e pouca luz. Os pais podem fazer uma oração num tom baixo, colocar uma música de ninar bem baixa, fazer uso de pijama nas crianças e evitar utilizar aparelhos eletrônicos neste momento. Alimente-os cerca de 40min. a 1 hora antes de irem para cama. Todas as crianças precisam ter rotina de sono, em qualquer idade para ter um sono reparador e saudável. A higiene do sono ajuda bastante, pois vai doutrinar o cérebro para que as crianças saibam que o momento do sono está chegando e elas vão entender que é hora de dormir”, aconselha Juliana. Sobre a importância de manter o ambiente escuro, Juliana explica que o hormônio melatonina, responsável pelo sono, só é liberado no escuro, por isso a necessidade de evitar a claridade. Atualmente é possível encontrar cosméticos infantis a base de ervas medicinais com efeito calmante, como óleos e shampoos, que também podem ser utilizados para acalmar o bebê.

Assim como existem medidas oportunas e eficazes, existem lembretes de coisas que devem ser evitados, um deles é evitar acostumar o bebe a dormir na cama com os pais. Juliana alerta que isto pode ser perigoso para a segurança do bebe devido o risco de sufocamento involuntário que pode acontecer durante o sono dos pais, além disso com a movimentação dos pais é provável que a criança acorde mais vezes durante a noite, o mais recomendado é que desde o nascimento o bebê durma no seu próprio berço. Outra situação que deve ser evitada é o costume de embalar a criança na hora de dormir. O ideal é que a criança seja colocada no berço ou cama para ser ensinado a entender o momento do sono. Ela ressalta ainda a posição correta para o beber dormir. “A posição mais adequada para o bebe dormir é sempre de barriga para cima e pescoço para o lado, porque é a posição mais segura para evitar sufocamento e uma doença chamada morte súbita do lactente, e sem objetos soltos no berço. O colchão deve estar elevado cerca de 30 a 45 graus”, explica.

Com o bebê dormindo bem, consequentemente a mamãe vão dormir bem. As menos experientes costumam ficar mais preocupadas e ansiosas, e o uso de uma baba eletrônica pode ser de ajuda. Mas, Juliana dá algumas dicas para que o uso da ferramenta não atrapalhe o sono da mãe. “Quando a mãe percebe a criança se mexendo na baba eletrônica a mãe não dorme. Daí a mãe quando ouve vai até o bebe e acaba despertando-o. A babá eletrônica deve ficar ligada por uma questão de segurança, mas sem o ruído ligado. Não é preciso interferir quando o bebe se movimentar, pois na maioria das vezes ele está dormindo. Trocar falda a noite desperta o bebê, não precisa checar a criança o tempo todo, apenas em casos pontuais. O mais indicado é que na hora do sono a mãe manipule a criança o mínimo necessário”, ressalta a pediatra. A privação do sono é prejudicial para todos, mas mesmo com crianças pequenas é possível contribuir para que todos durmam bem, desde que a família tenha uma rotina adequada, pois a criança sempre vai absorver a rotina a que ela está submetida.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1577 de 09 de Maio de 2019.

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