Quarta-feira , 18 Setembro 2019
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Audiência Pública discutiu sobre direitos, defesa e controle populacional de animais

Encontro reuniu autoridades e defensores da causa na quarta-feira (21)

Aconteceu na noite de quarta-feira (21) uma audiência publica para tratar sobre direitos, defesa e controle populacional de animais. Este é um tema de grande relevância para toda a sociedade e para o Poder Publico em virtude de todos os fatores que estão envolvidos no que diz respeito ao trato com os animais. A audiência foi de coautoria dos vereadores Adavilson Teles, o ‘Mancha’, e Marciano Dalmolin que resolveram dar espaço para o tema. O objetivo da proposta foi discutir com a comunidade futuras políticas públicas que possam ser implantadas através de legislação específica. Para participar da audiência foram convidadas algumas pessoas envolvidas nesta causa que discursaram sobre a defesa e o direito dos animais. A ativista Karine Thiesen, de Imbituba, e a professora Antonela Corde, coordenadora do curso de medicina veterinária da Unoesc foram as palestrantes.

O vereador Mancha pesquisou e apresentou modelos de algumas legislações no que tange o controle populacional de animais. Em seu discurso ele defendeu a necessidade de dar atenção a esse assunto. “Temos leis que já foram criadas com relação ao direito do animal. Precisamos ampliar o debate dando enfoque a saúde pública que é principal o problema dessa questão. Precisamos controlar a população de animais, principalmente de animais abandonados e de rua. Queremos políticas públicas que visem esse controle para que possamos ter isso mais palpável na sociedade. Até então, apesar de algumas medidas, ainda é pouco o que vem sendo feito”, defendeu.

O vereador Dalmolin também é sensível a causa e salientou as questões referentes aos maus-tratos e abandono de animais, uma situação que tem se tornado comum no município. O parlamentar elogiou o trabalho que é feito pela Associação de Proteção dos Animais (AProvida) em atender os animais. “Queremos debater junto com as entidades e os poderes. Percebemos uma quantidade grande de cães e gatos abandonados, que provavelmente sofreram maus tratos. Hoje a Ong Aprovida vem fazendo essa parte que cabe ao poder público. Precisamos castrar, vacinas, e chipar esses animais para dar qualidade de vida aos bichos. Existem algumas zoonoses muito graves como a raiva, que é fatal, e isso é muito preocupante”, afirmou.

As zoonoses são doenças típicas de animais que podem ser transmitidas aos seres humanos. Os principais animais que transmitem estas doenças aos homens são cachorros, gatos, morcegos, ratos, aves e insetos. Quem possui animais em casa devem tomar os devidos para proteger os animais e, consequentemente sua família. Porem, nos casos dos animais de ruas, quem irá proporcionar os devidos cuidados? Quanto maior o número de animais nas ruas, maior a chance de doenças se espalharem. Entre as doenças mais comuns estão a leishmaniose, a raiva, a sarna, a toxoplasmose, entre outras.

Membros da AProvida estavam presentes na ocasião, e a vice-presidente da Ong, Adriana Conti, destacou a necessidade de toda a sociedade se conscientizar sobre a importância de investir nos projetos que visam controlar a população de animais nas ruas. “Alguns acham que usar o dinheiro público para cuidar dos animais é dinheiro jogado fora. Esse tema tem uma grande importância para a sociedade, embora muitos não entendam isso. Temos que fazer as pessoas entenderem que isso é uma questão de saúde pública. Os animais podem trazer riscos a população se não forem bem cuidados. Felizmente ainda não tivemos problemas com zoonoses, mas se não cuidarmos isso pode acontecer em breve. Pela quantidade de animais que temos abandonado no município, caso ocorra algum caso de zoonoses vamos ter problemas. Temos uma preocupação também com a proliferação muito rápida dos animais. Além das doenças, os animais soltos podem causar acidentes ou morder as pessoas que passam na rua. Este é um assunto que afeta toda a sociedade”, declarou Adriana.

Em julho de 2018 a administração Municipal firmou uma parceria com a Unoesc para promover castração social de cães e gatos com o objetivo de criar um programa de controle populacional. O projeto prevê a castração gratuita para animais de famílias de baixa renda. Foram estabelecidos um limite de cirurgias durante o ano de 2018. A atitude foi aplaudida, mas, segundo Adriana, ainda faltam mais ações para promover soluções para este problema. “Esperamos que o Poder Público tome atitudes efetivas com relação aos animais e o controle populacional de animais de rua e de pessoas carentes, essa é uma demanda do nosso município. Como ongs precisamos também precisamos de apoio, e verba financeira para continuar realizando nosso trabalho”, destacou.

Algumas cidades do estado de Santa Catarina realizam atividades mais especificas com relação ao cuidado animal. No município de Rio do Sul a prefeitura disponibiliza uma ajuda financeira mensal, e a mesma possui um convênio com as clinicas veterinárias particulares que oferecem castrações com valores acessíveis para famílias de baixa renda. O município de Florianópolis mantém a Diretoria do Bem-estar Animal que oferece atendimentos veterinários, tem programas de castração e projetos de doação, além de realizar um trabalho de combate aos maus tratos. Apesar do Poder Público ter a reponsabilidade de idealizar políticas públicas, as pessoas também precisam assumir a responsabilidade de cuidar dos animais, conforme ressaltou Adriana. “Todo mundo tem um papel relacionado a isso. A partir do momento que você adota um animal você precisa cuidar dele. Se você não vacina, não castra, não cuida, você também é responsável pelos problemas causados em decorrência disso. Não é só o poder público que tem esse dever, as pessoas também tem, é um dever de todos”, concluiu.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1593 de 22 de Agosto de 2019.

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