Quarta-feira , 20 Novembro 2019
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Descarte de medicamentos: Porque é importante dar as substâncias o destino correto?

Farmacêutica tirou algumas dúvidas sobre esse assunto

Eliane Torri, farmacêutica

O consumo de medicamentos no Brasil é grande, porém, tão grande quanto o consumo é também o descarte de medicamentos que, ou passaram da validade ou não serão mais utilizados. Quando falamos de medicamentos estamos falando de substâncias químicas que podem ter inúmeros efeitos e reações no meio ambiente. Sendo assim, é importante que todas as pessoas se conscientizem de que este tipo de produto não deve ser descartado em lixo comum. Em entrevista com a farmacêutica Eliane Torri nós tiramos algumas dúvidas sobre esse assunto e entendemos melhor qual destino devemos dar aos medicamentos que não serão mais utilizados.

Ao conversar com alguns pacientes que frequentam a farmácia, Eliane afirmou que descobriu o que as pessoas fazem quando não precisam mais dos remédios. “A maioria diz que descarta os medicamentos nos vasos sanitários ou no lixo comum. Isso acontece principalmente por falta de conhecimento das pessoas, elas não têm noção do que os resíduos químicos que elas descartam no vaso ou no lixo podem ser maléficos ao meio ambiente. Temos uma preocupação grande com essa situação. Queremos conscientizar o maior número possível de pessoas para que façam o descarte correto em um estabelecimento de saúde”, destacou. A profissional disse que uma das medidas que precisam ser adotadas no Brasil é a logística reversa de devolução dos medicamentos.

Confira a entrevista:
Onde devem ser descartados os medicamentos e frascos?

Os locais de descarte se encontram nos postos de saúde e na Farmácia Popular. Nós temos um recipiente apropriado próprio para descarte dos medicamentos em desuso e vencidos. Está ao acesso de qualquer pessoa.

O que é feito com os medicamentos descartados?

Os resíduos são acondicionados e uma empresa leva os resíduos para Chapecó aonde é feito o tratamento químico dos resíduos. Cada lixo tem uma destinação conforme o tipo de componente químico. Ou é feito uma incineração em fornos industriais que não afetam o meio ambiente. Ou é feito um processo de autoclavagem, aonde os princípios ativos dos medicamentos perdem seu potencial de contaminar o meio ambiente.

Existe alguma legislação sobre isso?

Em nível nacional ainda não existe nenhuma norma fiscalizadora. Existem normas informativas sobre o descarte correto, mas não uma legislação cobrando uma logística reversa. Também não há nenhuma lei que estabeleça que os estabelecimentos de venda de remédios tenham um ponto de coleta. Foi realizada uma consulta pública aberta pelo Ministério do Meio Ambiente aonde todos podiam dar sugestões para a melhoria de um decreto que está para ser implementado que irá começar a cobrar de todos os estabelecimentos de saúde a logística reversa de medicamentos. Há países em que isso já funciona bem. Isso vai onerar as empresas privadas e por isso tem que ser um tema bem discutido. Nesta consulta existia o esboço de um decreto que dizia que a cada 30 mil habitantes deveria haver um ponto de coleta, no mínimo. O município está fazendo a sua parte, mesmo sem ter uma fiscalização efetiva até o momento. Há uma empresa contratada que presta serviços ambientais de descarte de resíduos de saúde.

Ela coleta os resíduos de 15 a 15 dias

Quais os impactos ambientais do descarte de medicamentos em lixo comum? Quais os demais riscos?

Quando eu jogo os medicamentos no vaso sanitário ele vai para o tratamento de esgoto. Aqui em Campos Novos temos tratamento de esgoto em quase toda a cidade, então esse esgoto quando chega na estação de tratamento faz uma filtragem dos rejeitos sólidos e das partículas aparentes. Mas como o medicamento se dissolve na água não há como fazer a separação dos componentes químicos. Ou seja, quando a água for tratada ela volta com os componentes químicos juntos. Ainda não temos tecnologia suficiente para retirar do esgoto todos os componentes dos medicamentos que são dissolvidos na água. Como consequência vai voltar como água potável na nossa casa. Quando a pessoa joga no lixo comum, nos aterros se forma o liquido proveniente da fermentação dos componentes químicos e esse liquido pode adentrar na terra e atingir até o lençol freático e contaminando novamente a água. Existem estudos que comprovam que estes componentes quando voltam para água estão afetando peixes e organismos que vivem na água. Algumas universidades trabalham este tema, existem várias dissertações de mestrado e doutorado em que os alunos demonstram esses impactos.

Que medicamentos devem ser descartados? É correto fazer a doação de remédios em desuso?

Podem ser descartados medicamentos vencidos e os que estão em desuso. O paciente pode fazer esse descarte nos postos ou na Farmácia Popular. Doar remédios pode ser perigoso. As vezes acontece confusão com nomes de remédios que são parecidos, mas não são iguais. E isso também pode contribuir e alimentar a automedicação. Aqui temos pessoas qualificadas que fazem a separação dos remédios e analisam o estado de conservação da medicação, o prazo de validade e demais detalhes. Se o medicamento não foi violado e está em bom estado de conservação a própria farmácia pode fazer essa doação.

Como armazenar corretamente os remédios para evitar o desperdício?

Nunca guarde remédios em ambientes úmidos, como banheiro. Nem em locais com calor em excesso. O medicamento não suporta temperaturas extremas porque sua eficácia ficará comprometida.

Quais os riscos de tomar remédio vencido?

Não grandes riscos a saúde. Se acontecer de o paciente tomar o remédio fora da validade o mesmo não surtirá o efeito esperado.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1590 de 08 de Agosto de 2019.

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