No discurso, o presidente da Câmara defendeu a adoção de reformas, como a da Previdência e a tributária, para “que a gente volte a andar de braços dados com a sociedade”. Ele criticou o engessamento do orçamento federal, que destina 94% da verba para despesas obrigatórias, sobrando pouco para investimentos. “Esse Estado do tamanho que ficou não representa cada um de nós”, afirmou.

Maia citou o inchamento do Estado dos últimos 30 anos, principalmente do ponto de vista de gasto com pessoal. Segundo ele, cargos relevantes do poder público, apesar de importantes, chegam muito rápido ao topo da carreira. Além disso, o Estado “colou o piso no teto”, disse, em alusão a altos salários, inclusive na Câmara dos Deputados. Citou também a pressão feita pelas corporações no Congresso durante esse período, que resultou em aumento de salários e benefícios.

Para ele, esse processo criou um “divórcio na relação com a sociedade”. A principal consequência, afirma, foi criar um orçamento que é muito vinculado a determinados setores em detrimento da população em geral. “Os pobres contam com transferência de renda, mas quem mais sofre é a classe média”, disse.

O reflexo é uma infraestrutura precária, um sistema tributário dos piores do mundo, uma Previdência deficitária, com economia fechada e serviços públicos ineficientes, enumerou.

Reformas

Maia aposta na desindexação do orçamento público para reverter esse quadro. Lembrou que as primeiras reformas, como a Lei da Terceirização e a Reforma Trabalhista, foram construídas ainda no governo de Michel Temer. “Esse Congresso é reformista, porque nós precisamos que o Estado volte a servir a todos”, disse.

Sobre a reforma tributária, falou de maneira rápida. As propostas que tramitam no Congresso tratam apenas da reorganização na cobrança de tributos, e não da redução da carga tributária em si. “Para reduzir a carga tributária, tem que cortas despesas”, afirmou. “Não é para amanhã, mas para um futuro bem próximo”.

Maia diz que o ideal é “um Estado que valorize o servidor, mas que seja eficiente”. “O Estado atrapalha a produtividade da iniciativa privada e não olha para a sua própria produtividade”, afirmou.

Sobre a reforma da Previdência, disse que “conseguímos fazer uma reforma que ninguém esperava” e que “esse é um ciclo de reformas e modernização”.

Um líder

No final da apresentação, o presidente da Câmara disse que é perguntado diversas vezes sobre o seu jeito pacificador, diferente do seu pai, Cesar Maia, hoje vereador no Rio de Janeiro. Sem modéstia, falou sobre a própria capacidade de diálogo e disse que teve “um chefe, um líder” que exerceu essa influência: Jorge Bornhausen, ex-governador de Santa Catarina, sentado em frente ao palco.

O evento

O encontro foi promovido pela Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert), por meio do programa Momento Brasil, que trouxe ao Estado o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. A vinda de Maia foi viabilizada pelo presidente da Acaert, Marcello Corrêa Petrelli, e pelo deputado federal Darci de Matos (PSD).

Antes da fala do palestrante, os presidente das Federações das Indústrias de SC (Fiesc), Mário Cezar de Aguiar, e da Federação do Comércio de SC (Fecomércio/SC), Bruno Breithaupt, falaram sobre a importância da reforma tributária para estimular a economia nacional.

Aguiar elogiou a postura pacificadora do presidente da Câmara e disse que ele pode contar “com o apoio do setor produtivo catarinense” para transformar o sistema tributário, “hoje um dos piores do mundo”, afirmou.

Breithaupt citou o esforço que as empresas têm em calcular e pagar impostos e quanto isso significa em custo para o setor. Segundo ele, o ideal é que a carga seja reduzida para ficar “próxima a 30% do PIB”.

O presidente da Alesc e anfitrião do evento, deputado Julio Garcia (PSD), foi mais enfático. Disse que Maia é a “maior liderança política do Brasil hoje”. Além disso, disse que Maia é competente, patriota, e tem espírito público.

*Informações: Rede Catarinense de Notícias