Sexta-feira , 18 Outubro 2019
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Influenciadores

A matéria sobre saúde desta edição leva a uma importante análise sobre o consumo que as pessoas fazem de medicamentos. É do conhecimento de todos que o brasileiro é viciado em remédio (pelo menos a maioria). Para qualquer problema do mundo há uma substância a ser prescrita. Mas quem são os grandes influenciadores deste consumo? Há uma gama de opiniões e pesquisas realizadas que apontam muitos como responsáveis por incentivar as pessoas a tomar remédios.

Segundo pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), os médicos aparecem em primeiro lugar como influenciadores do consumo de remédios. Em segundo lugar aparecem os farmacêuticos, que hoje se encontram nas farmácias para tirar dúvidas dos consumidores. Até aí tudo bem, são profissionais da área da saúde que tem autoridade e conhecimento para dar uma indicação e prescrever uma medicação. Eles analisam sua situação e decidem que tipo de substancias você deve tomar.

A preocupação se dá quando os influenciadores são pessoas que pouco ou nada tem de conhecimento sobre o assunto. Amigos, parentes, vizinhos e colegas são experts em indicar um remédio que é tiro e queda. E, por incrível que pareça, não são poucos os que se deixam influenciar por essas indicações. Alguns até desistem de ir ao médico, porque encontraram a “solução” do problema no conselho do amigo. Além das pessoas ao redor, existe um outro influenciador muito convincente: A mente. Será sua própria mente a principal influência para o consumo de medicamentos? – “Toma só mais uma vez. Não vai fazer mal”. E assim as pessoas vão se convencendo de que não há problemas nenhum em se automedicar.

Este é um assunto que exige uma explanação cada vez mais frequente para alertar as pessoas sobre os riscos. Tomar medicamento nos ajuda a ter mais qualidade de vida, mas tudo tem limite. É preciso tomar medicamento de forma consciente, pois assim como eles causam estragos ao meio ambiente eles podem trazer sérias consequências ao nosso organismo. Fazer uso dessas substâncias de forma inadequada poderá ter efeito a curto, médio e longo prazo.

Para começar a mudar esta cultura é preciso tomar consciência dos riscos e identificar os principais influenciadores que disparam o gatilho das pessoas para o consumo indevido e as mantem num ciclo dependente. Medicação também é droga, só que uma droga legal, e não queremos entupir nosso organismo de drogas, mesmo que sejam licitas.

Por: Priscila Nascimento, Jornalista

*Editorial publicado no jornal “O Celeiro”, Edição 1590 de 08 de Agosto de 2019.

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