Quarta-feira , 18 Setembro 2019
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Aleitamento materno: Importante para o bebê e para a mãe

Em agosto o Ministério da Saúde realizou campanha em prol da amamentação. Porque esse ato é tão importante?

Desde o ano de 2010 o Ministério da Saúde empreende a campanha de aleitamento materno e estabeleceu o mês de agosto para lembrar as pessoas sobre a importância da amamentação. A ação surgiu em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria, com o objetivo de apoiar a mulher que retorna ao trabalho após o nascimento do seu filho e deseja continuar amamentando o filho. As Salas de Apoio à Amamentação são locais simples e de baixo custo para as empresas, onde a mulher pode retirar o leite durante a jornada de trabalho e armazená-lo corretamente para que ao final do expediente possa levá-lo para casa e oferece-lo ao bebê. A classe médica incentiva todas as mamães a amamentarem os filhos porque o aleitamento materno é a melhor fonte de nutrição infantil, sendo capaz de reduzir em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos. O Ministério da Saúde recomenda que as crianças sejam amamentadas até os dois anos ou mais e de forma exclusiva até o 6º mês de vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Unicef, cerca de seis milhões de crianças são salvas a cada ano com o aumento das taxas de amamentação exclusiva até o 6º mês de vida. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), na América Latina e Caribe, cerca de 54% das crianças começam a ser amamentadas na primeira hora de vida. Os números ainda indicam que apenas 38% são alimentadas exclusivamente com o leite da mãe até os 6 meses de idade e somente 32% continuam sendo amamentadas até os dois 2 anos.

O leite materno é um poderoso alimento para o bebê e o ato de amamentar também traz muitos benefícios para as mães. É preciso levantar essa causa e ajudar todas as mulheres a entender os multibenefícios do exercício natural de amamentar. O enfermeiro, especialista em pediatria, Kleber Siqueira, relata a importância do aleitamento, tanto para o bebê quanto para a mãe, principalmente quando o parto é natural. “É comprovado cientificamente que o aleitamento materno traz inúmeros benefícios. Se a mãe teve um parto normal, por meio do aleitamento materno a recuperação do pós-parto é mais rápida, a amamentação também ajuda na manutenção do peso da mulher e reduz o risco de desenvolver o câncer de mama”, explica. Para o bebê os benefícios são ainda maiores pois além de nutri-lo irá protege-lo de várias doenças. “A amamentação é importante para o ganho de peso e para o ganho de imunidade nos primeiros meses de vida. Toda a imunidade que a mãe arrecadou durante a vida, em relação as vacinas ela vai passar para a criança. Além disso, o leite protege a criança de doenças como diarreia, infecções respiratórias, alergias, reduz o risco de a criança desenvolver hipertensão, colesterol alto, diabetes, sobrepeso e obesidade na vida adulta”, afirma.

Durante os seis primeiros meses de vida o único alimento que a criança precisa é o leite, nem mesmo o consumo de água é necessário, pois o leite materno é composto de todos os nutrientes essenciais ao bebê. “O leite materno é composto por água, proteínas essenciais para o desenvolvimento da musculatura, minerais, cálcio, fósforo, magnésio, sódio, potássio, vitaminas e gordura saudável. Não existe leite materno fraco”, reforça. Em virtude de todos os benefícios alcançados pelo leite materno, este momento deve ser sagrado entre mãe e filho, e todo esforço deve ser feito para ajudar o bebê a se alimentar de forma apropriada. Todas as situações que podem ser levadas a dificultar ou atrapalhar a alimentação dos bebes devem ser evitadas. No período de lactação as mulheres precisam manter certos cuidados como a não utilização de certos produtos de higiene. O uso de perfumes e cremes com cheiros fortes na região do colo podem interferir e impedir que o bebe seja amamentado, pois ele não sentirá o cheiro natural da mãe. “A criança tem reflexos primitivos, isso faz com que o bebe identifique o cheiro da mãe e do leite, e se houver algum fator que interfira na busca do bebe pela mãe e pelo leite ele irá perder o interesse pelo peito, porque o cheiro dos cosméticos será algo estranho para ele e o reflexo dele será interrompido. É importante que as mães evitem o uso de óleos e produtos perfumados. Elas devem usar sabonetes neutros, nada que seja muito forte. A higienização do leite da mãe deve ser feita com o próprio leite materno com uma gaze ou um algodão, porque o leite já tem anticorpos que vão servir como antissépticos, por isso não precisa usar álcool ou qualquer outro produto para higienização”, explica o profissional. Além desse fator, nos primeiros meses após o nascimento a mãe deve procurar alimentar o filho em lugares calmos e com pouca luz, similar ao ambiente em que ele ficou hospedado durante os nove meses, pois assim o bebê irá se sentir mais à vontade e familiarizado.

Para que o leite seja ainda mais benéfico ao bebe, a mãe precisa cuidar da alimentação antes e depois de o bebe nascer. O enfermeiro aconselha as mães a ter uma alimentação balanceada e livre de produtos enlatados, embutidos e industrializados, consumindo a alimentação mais natural possível. “Temos que pensar que tudo que a mãe come vai para o bebê através do leite materno. A alimentação dela precisa ser livre de produtos químicos. O ideal é que a mãe tenha uma alimentação rica em nutrientes, ela deve fazer uso de frutas, verduras e legumes, ela deve comer diversas vezes ao dia, em quantidades equilibradas”, recomenda. Os bebês também precisam de cuidados quando o assunto é quantidade para evitar a obesidade Nos dois primeiros meses é recomendado mamadas de duas em duas horas, ou até a criança sentir vontade, mas nem todos os bebês vão largar o peito quando já se sentirem satisfeitos, então as mães precisam ficar atentas para retirar o bebê da mama, pois quando a criança se alimenta além da necessidade ela poderá ter refluxos. As mães precisam usar o bom senso para saber quando a criança está bem alimentada.

Outro alerta que o enfermeiro Kleber dá é quanto a maneira correta que as mães devem amamentar os bebês. A criança precisa fazer a sucção de forma correta, do contrário o bebê poderá machucar a mãe e ele também não irá tomar a quantidade suficiente de leite. “As mães, principalmente as de primeira viagem, precisam buscar ajuda para proporcionar uma pega correta. Na pega incorreta o bebê vai sugar só o bico do peito de mãe, portanto a quantidade de leite que a criança tomar será insuficiente, a criança vai fatigar e largar o peito mais rápido. É importante que a criança mame até o fim, pois a gordura está na porção final do peito. A criança deve mamar até que o peito esvazie para que ele possa ingerir todas as propriedades encontradas”, aconselha.

Quando a Mamãe não produz leite …

Apesar de toda a importância do leite, infelizmente algumas mães não produzem leite ou ficam impossibilitadas de amamentar. Alguns dos motivos podem ser físicos, medicamentosos e emocionais. Há mães que fazem uso de medicamentos, algumas são portadoras de doenças, outras mães sofrem depressão pós-parto ou há aquelas que por estresse não produziram leite para o bebê, pois o estresse causa um conjunto de efeitos biológicos no corpo que podem interferir na produção hormonal. O enfermeiro Kleber diz que neste caso o melhor é dar ao bebê uma fórmula infantil rica em nutrientes. “Os pais devem procurar a ajuda de um médico pediatra e um nutricionista especializado para encontrar uma fórmula que seja o melhor para a criança” , conclui.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1593 de 29 de Agosto de 2019.

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