Quarta-feira , 18 Setembro 2019
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Em defesa dos direitos femininos: Conselho Municipal da Mulher atuará em prol de politicas públicas

Envolvimento da comunidade é importante para promover ações de valorização da mulher

Recentemente o município de Campos Novos ganhou destaque nacional na imprensa depois de registrar um caso de feminicídio na região. O ex-companheiro foi acusado de matar a mulher com dois tiros porque não aceitava o fim da relação. A mulher estava debaixo de medida protetiva ao registar boletim de ocorrência a Policia Civil por estar sendo perseguida pelo homem. Mesmo assim, ela foi alvejada e perdeu o teve seu direito a vida desrespeitado. Notícias como essa são lamentáveis, mas também soam o alarme quanto a este assunto que tem se tornado pauta constante. Infelizmente ainda existe um discurso enraizado que prega a mulher como um objetivo de propriedade masculina, sem direitos nenhum perante a sociedade. A violência contra a mulher é uma realidade que deve ser combatida. Não há justificativas para que sejam aceitos atos cruéis. Se uma mulher sofre agressão a culpa é sempre do agressor e não da vítima. Enquanto esse pensamento de que a mulher é a culpada existir, mais casos podem continuar acontecendo.

Para ajudar a promover o debate e pensar políticas públicas voltadas a mulher, a Administração Municipal, através da Secretaria de Assistência Social, criou o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. A ideia de criação do conselho surgiu há algum tempo e se concretizou somente neste ano. Foi feito uma chamada pública para que mais entidades participassem do conselho, além dos órgãos governamentais. Participam do projeto representantes das seguintes entidades: Bethel Ketzia 07 Campos Novos, ACIRCAN, Casa da Amizade, Rede feminina de Combate ao Câncer, OAB, DPCAMI, Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação e a idealizadora Secretaria de Assistência Social. O Conselho não possui sede e as reuniões mensais são itinerantes.

A presidente do Conselho Municipal, Sibeli Wrubel, que é representante do Bethel Ktezia, falou sobre a importância dessa iniciativa e de como ele irá atuar em prol desta causa. Ela destacou a principal missão do conselho que é pensar políticas públicas que beneficiem e garantam os direitos da mulher. As metas de trabalho prioritárias nesse primeiro momento são a saúde da mulher, a violência contra a mulher e o empreendedorismo feminino. Segundo Sibele, estas são as demandas principais que devem ser trabalhadas. “Queremos ser um conselho atuante no município. Queremos ajudar as pessoas para que elas tenham mais esclarecimentos sobre o assunto e as mulheres vejam que elas têm valor em qualquer área. Algumas mulheres não tem essa noção, elas se sentem reprimidas. A comunidade também está aberta para que tragam as demandas e nós possamos auxiliar. Não somo um grupo de autoajuda, somos um conselho que vamos trabalhar políticas públicas para ajudar as mulheres do município. O Conselho Municipal é muito importante para as mulheres. Quando necessário é importante buscar ajuda das conselheiras”, ressaltou.

Sibeli ainda acrescenta que uma das ideias é trazer homens para participar do conselho e abraçar a causa. O dia 6 de dezembro foi instituído como o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pela Fim da Violência Doméstica contra Mulheres, e esta iniciativa será pensada junto aos homens para que eles entendam que o desejo de toda mulher é ter seus direitos assistidos de igual forma. A presidente espera que o conselho alcance o toda a comunidade para que todos participem e ajudem a ecoar o discurso de igualdade entre os gêneros. No dia 8 de outubro o Conselho Municipal se prepara para realizar a primeira reunião aberta, um Café- Bazar, a realizar-se na Associação dos Servidores Públicos Municipais SPM, as 19h30. Todos estão convidados a participar.

Presidente destaca importância de desmitificar discurso feminista

As mulheres tem aos poucos conquistado seu espaço na sociedade, e isso vem alavancando o discurso do feminismo. Porém, esse discurso tem se mostrado confuso e, algumas vezes, agressivo, transmitindo a ideia de que a mulher é superior ao homem. De acordo com Sibele esse é um discurso inverso a ideia do feminismo, e o Conselho não compactua desse pensamento. “Queremos desmitificar o discurso do feminismo. Tem se passado uma ideia de que ser feminista é algo negativo, como se as mulheres quisessem passar por cima dos homens. Os valores se inverteram e não é isso que o conselho quer. O conselho quer mostrar que as mulheres não querem ser melhores do que os homens, não existe essa visão. Queremos andar lado a lado, e promover a igualdade de direitos”, defendeu a presidente do Conselho.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, edição 1594 de 05 de setembro de 2019.

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