Sexta-feira , 18 Outubro 2019
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Produtores e entidades opinam sobre ampliação da posse de armas em propriedade rurais

Decisão do Governo Federal permite que produtores possam andar armados por toda a extensão de suas propriedades.

Desde o início do mandato do presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2019, a questão da posse de arma tem se tornado polêmica na imprensa. No dia 17 deste mês, mais um capítulo dessa história foi anunciado com a sanção do Projeto de Lei que amplia a posse de arma de fogo em toda a extensão da propriedade rural. Anteriormente as armas só poderiam ser usadas na área edificada do terreno. Se para alguns esta decisão parece desarrazoada, para os produtores rurais e para as entidades representativas do setor, esta decisão foi recebida com bons olhos. A Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), e alguns produtores rurais de Campos Novos se posicionaram sobre essa decisão de forma positiva, afirmando que essa ampliação dará mais segurança e proteção a propriedade. Porém, é importante ressaltar que, ainda assim, o uso de armas deverá ser feito de forma lícita e consciente, evitando acidentes e situações desagradáveis.

O vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri, apoia a medida de liberação de armas nas propriedades rurais, e disse que a legislação anterior deixava os produtores angustiados e fazia até com que muitos deles deixassem de permanecer com a família em propriedades rurais durante o fim de semana por questão de segurança. Barbieri ainda afirmou que em Santa Catarina a nova lei vai se aplicar mais ao âmbito de proteção contra furtos e criminalidade, e não em divisões como invasões de terra, que, segundo ele, no Estado é algo que não vem sendo registrado. A maioria das propriedades rurais se concentram longe da cidade, e ficam mais isoladas, em alguns casos, algumas nem contemplam sinal de internet. As unidades policiais também se encontram longes desses espaços o que dificulta a segurança e a tranquilidade das pessoas que habitam ou vão passar o fim de semana na propriedade. Com a posse de arma ampliada, alguns acreditam que criminosos fiquem longe de suas propriedades.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Campos Novos, Luiz Sergio Gris, falou ao jornal “O Celeiro” que entende a decisão como forma de defesa do patrimônio. “Vimos que é uma matéria importante. Entendemos essa decisão com bons olhos, principalmente porque agora o produtor rural poderá ter a posse e o porte das armas de fogo para garantir a segurança pessoal e da propriedade. Nada mais justo ao produtor do que garantir a sua segurança no campo e preservar o seu patrimônio que a apenas ele sabe o quanto custou para garantir esse patrimônio e o sustento de sua família”, afirmou Gris. O produtor rural, Francisco Chiochetta, disse que também é a favor da decisão, em virtude da segurança que o uso de arma poderá promover. “O produtor tem que ter arma na propriedade porque a propriedade está longe da cidade, e uso de arma nos protege, é um meio de nos defender. Não sabemos quem está chegando na nossa propriedade, se é um estranho ou vendedor. Precisamos estar protegidos”, declarou.

Apesar de ter sido bem recebida pela classe rural, ainda é preciso falar desse assunto com cautela, em virtude de todos os riscos envolvidos em ter uma arma de fogo em mãos. Os próprios produtores afirmam que é preciso que haja licitude, preparo e consciência na hora de utilizar o armamento, pois de forma indevida ela pode gerar danos e acidentes. O produtor Jari Noriler, destacou essa preocupação e o cuidado que dever ser tomado. “Sou dos tempos que a gente podia usar armas em todos os lugares. Eu detinha porte de arma, mas tinha curso e fiz serviço militar. Penso que pra usar armas tem de ter habilitação e muito bom senso. Acho a permissão muito limitada”, declarou Noriler. Chiochetta também comentou sobre o uso das armas. “Eu apoio, mas que isso seja feito de forma consciente. Os funcionários devem ser orientados, para que não usem a arma de forma incorreta. Elas não podem cair nas mãos das pessoas erradas, pessoas que não estão preparadas para usa-la. É importante ter uma arma para usar na hora que for preciso e de forma consciente”, enfatizou. Gris ressaltou outra situação que deve ser respeitada diante dessa permissão. “Entendemos com bons olhos a decisão do Governo Federal, mas claro que recomendamos aos produtores rurais que legalizem as suas armas e que a usem de forma regular nas suas propriedades”, disse.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1596 de 26 de Setembro de 2019.

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