A demanda está em alta desde o início do ano. Um dos motivos é o problema sanitário enfrentado por países da Europa, México, entre outros. Outros fatores, como o câmbio favorável, também tem contribuído para o avanço das exportações de Santa Catarina e do Brasil.

Para setembro em diante, o setor espera uma procura ainda maior, especialmente pelos chineses. O país asiático sofre com uma peste suína que reduziu em cerca de 30% o rebanho interno. A quebra de produção, segundo estimativas no setor, é de 20 milhões de toneladas e os estoques estão chegando ao fim.

“O efeito China é mais especulativo do que prático. Ainda está por vir. A onda que vai provocar nos mercados ainda não aconteceu, e essa onda vai ser uma tsunami”, disse o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), José Antônio Ribas Júnior. “O Brasil no ano passado comercializou quatro milhões de toneladas. Estamos falando de cinco Brasis“.

Segundo ele, o Brasil, e principalmente Santa Catarina, pode se beneficiar do problema. O Estado já tem os requisitos para exportação e a condição sanitária diferenciada. Por estar com a estrutura pronta, deve ser um dos primeiros mercados a ser procurado. “A primeira proteína de substituição é o frango. Depois bovino, outras carnes, algo de peixe, e só depois suíno, pelo ‘preconceito'”, afirmou.

A peste

A peste suína que acomete a China tem origem na África e é transmitida, em geral, por carrapato ou alimentos contaminados pelo vírus. A doença é altamente contagiosa e tem índice de mortalidade considerado alto. O Brasil teve casos nos anos 70, mas hoje está livre da peste.

A doença, porém, não gera risco a humanos. “O problema que estão vivendo lá não é um problema de risco à saúde pública. O problema é zootécnico, que mata o suíno, mas se eu, você, ou qualquer pessoa comer uma carne contaminada, provavelmente nada aconteceria conosco”, disse Ribas.