Sexta-feira , 18 Outubro 2019
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Procon de SC determina retirada de anúncios de falsos emagrecedores vendidos pela internet

Procon de SC determina retirada de anúncios de falsos emagrecedores vendidos pela internet

O Procon de Santa Catarina notificou nesta terça-feira (1º) empresas que vendem emagrecedores supostamente naturais e determinou a retirada de anúncios para comercializar os produtos. Os alvos da medida cautelar são fabricantes, vendedores e fornecedores, mas também atinge plataformas, sites e redes sociais onde esses medicamentos são vendidos sem qualquer controle.

O Procon enviou notificação para o Google, OLX, Mercado Livre, Instagram, Twitter, Facebook e YouTube. Depois de notificadas, as empresas responsáveis pelos sites e mídias sociais na internet têm 48 horas para bloquear qualquer propaganda ou comércio desses emagrecedores. Se descumprirem a ordem, podem responder por desobediência e ter que pagar multa de R$ 1 milhão.

A medida cautelar se baseou na rede de comércio ilegal, na facilidade para se encontrar e comprar emagrecedores pela internet. Em quatro produtos de marcas diferentes foram adquiridos e analisados pelo Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina (IGP), os exames provaram que os emagrecedores não eram feitos à base de ervas, como diziam as propagandas e vendedores. A perícia apontou a presença de substâncias químicas controladas, como a sibutramina, utilizada para tratamentos graves de obesidade, o diazepam, usado no tratamento de ansiedade, e o clobenzorex, uma anfetamina.

Dois laudos do IGP mostraram em quais produtos vendidos como naturais estavam cada uma dessas substâncias.

  • No Royal Slim, clobenzorex, fluoxetina, usada no tratamento de depressão e de transtorno obsessivo compulsivo.
  • O clobenzorex, que também foi encontrado no Natural Dieta, é uma anfetamina, tem efeito estimulante e tira o apetite. Não há medicamento registrado no Brasil com essa substância psicotrópica, que pode causar dependência.
  • No Yellow Black, os peritos encontraram mais substâncias químicas: diazepam, bupropiona e sibutramina, que também foi identificada no Original Ervas. A bupropiona é usada para tratar depressão. O diazepam, que também pode causar dependência, é um medicamento usado para combater transtorno de ansiedade. Já a sibutramina é psicotrópica e anorexígena, corta o apetite. É receitada apenas em casos graves de obesidade.

Em vários estados do país já foram registradas mortes e complicações de saúde em pessoas que decidiram fazer a auto medicação, o que tem deixado médicos e a polícia em alerta.

Uma mulher de 27 anos de Lages, na Serra catarinense uma das vítimas. Ela foi encontrada morta em abril deste ano e, segundo o IGP, a causa da morte foi a intoxicação provocada por substâncias químicas encontradas no emagrecedor supostamente natural que ele vinha tomando. A polícia tenta identificar essa rede de comércio em Santa Catarina.

Medida cautelar

Com a medida cautelar, o Procon pretende barrar esse comércio e evitar novos casos trágicos. O órgão também informou as autoridades de saúde, fiscalização, e segurança, como a Anvisa, o Ministério Público e a Polícia Federal para que esse comércio ilegal seja investigado no país.

A superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Raquel Bittencourt, também recebeu cópia da medida cautelar. Ela espera que a ação ajude a barrar o problema.

“Quando uma farmácia tem um site para comercializar, ela segue regras sanitárias que o país tem. Ela tem endereço físico, responsável técnico, só anuncia produtos legalizados. E o site clandestino pode anunciar qualquer coisa. Quando a gente identifica e derruba o site, ele reaparece em outro lugar”, explica.

“É uma medicina paralela e ao mesmo tempo assustadora. São pessoas sem conhecimento médico. E isso vale principalmente para as doenças que tem grande apelo: obesidade, diabetes, depressão. São quadrilhas que não estão interessadas na saúde e nem no tratamento da obesidade. Estão interessadas em ganhar dinheiro”, complementou ainda o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Rodrigo de Oliveira.

Empresas notificadas

A OLX informou que não foi notificada pelo Procon de Santa Catarina até o momento e que quando forem especificados os links dos anúncios infratores providenciará a exclusão.

Até o momento, o Google, Youtube, Facebook, Instagram, whatsapp e Twitter não se manifestaram. A NSC TV não conseguiu contato com o Mercado Livre.

*Informações: G1

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