Sexta-feira , 15 Novembro 2019
Home / Saúde / Imas assume erros, mas afirma que não cometeu desvios

Imas assume erros, mas afirma que não cometeu desvios

Em coletiva, presidente do instituto esclarece sobre déficits da fundação Hospitalar e fala sobre reequilíbrio financeiro.

Desde que se instaurou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias feitas contra o Instituto Maria Schmitt (Imas) organização social, que compartilha a Administração da Fundação Hospitalar Dr. José Athanázio, as notícias sobre o caso não param de sair nos meios de comunicação. E mais uma vez a imprensa esteve a postos para participar da coletiva que aconteceu nesta terça-feira (5) no hospital, com o presidente do Imas, o Dr. Robson Schmitt, que conversou por cerca de 1 hora e meio com os repórteres e alguns vereadores que se fizeram presentes. Robson admitiu erros cometidos pela administração do Imas, afirmou a saída do diretor Edson Martins e a chegada de um novo diretor e gerente administrativo. Sobre a CPI, o presidente disse estar tranquilo, e que não houve desvio de dinheiro ou algum tipo de crime, mas apenas erros matérias, e que todos os valores estabelecidos pela Comissão de Acompanhamento e Fiscalização (CAF) serão devolvidos pelo Imas. Confira o trecho de algumas declarações feitas pelo presidente sobre o motivo dos déficits e sobre a possibilidade de reequilíbrio financeiro a partir de janeiro de 2020

Sobre o déficit atual do hospital, Robson disse que chega a cerca de R$ 1,100 milhão. Porque esse desiquilíbrio? “Existe um déficit e uma dificuldade financeira. Temos serviços que são prejuízos, mas são necessários para a população. O déficit financeiro também está relacionado a uma coisa muito simples: a fundação hospitalar encerrou suas atividades no hospital pelo SUS no dia 31 de março. A produção de abril só é paga em junho, depois de ser apresentada em maio. Ficamos abril, maio e junho sem recebimento do SUS, que é a segunda maior fonte de renda do hospital. Isso também gerou um desiquilíbrio financeiro. Naquele mês o Imas recebeu o valor repassado pela prefeitura apenas, tivemos que tocar um hospital, que custa R$ 1,200 milhão com R$ 725 mil. Tivemos crises para conseguir pediatras e obstetras, o preço de mercado pela fundação não é o preço de mercado da região. Esse foi um custo que tivemos de assumir e acabou contribuindo para o déficit. Hoje com o ambulatório regularizado fazemos tomografias e endoscopia de graça na porta do SUS. Além dos acréscimos de serviços, incrementamos a regulação que é uma obrigação, abrimos quatro salas do centro cirúrgico e organizamos os anestesistas”.

Mas antes de assinar o contrato com a Administração Municipal o Imas não sabia de todas as necessidades do hospital? Não ficou combinado que o valor de R$ 725 seria suficiente para essa gestão? “Na licitação o Imas fez uma proposta de trabalho, que é baseada no que cabia no valor, não baseado no plano operativo pactuado no estado, que é muito maior do que nossa proposta de trabalho. Este contrato pactuado com o SUS, que não era cumprido, gerava um passivo enorme para o hospital em débito com o SUS. Quando entramos acertamos com a administração pública que nós executaríamos não o nosso plano de trabalho, mas o plano operativo. Esse plano operativo não era de conhecimento até o início da gestão, ele não estava no edital, porque ele não é público. Tivemos diversos problemas de faturamento com o SUS que já existiam. Quando entramos no projeto a capacidade financeira era bem diferente da necessidade da população”

Qual a perspectiva para o reequilíbrio financeiro para o hospital? “O equilíbrio das contas se dará, e provável que já aconteça a partir de janeiro. Estamos pedindo um reequilíbrio financeiro para a prefeitura porque é necessário. As ações feitas até agora foram para não perder o contrato do SUS. Estamos elevando as cirurgias para que cheguemos a números maiores para que o hospital fique sustentável. Esse mês o faturamento do SUS vai chegar a R$ 400 mil, a tendência, com base no que estamos fazendo, é que o SUS chegue a quase R$ 500 mil”.

Estas foram algumas das declarações feitas pelo presidente do Imas, mas ele também destacou a evolução nos números de atendimentos, cirurgias e serviços oferecidos pelo hospital. Ele também falou sobre a importância da CPI e que ela servirá para mostrar o que o instituto tem feito. “O Imas assume que cometeu erros administrativos. Mas não houve desvio de dinheiro. Estamos tranquilos com o que a CPI vai encontrar. Estamos com preparando todos os documentos necessários para encaminhar a Câmara”, afirmou Robson.

Capítulos anteriores…

Nos últimos dias o que chamou a atenção foram as opiniões divergentes dos médicos que fazem parte da fundação e algumas denúncias anônimas por parte de funcionários. Na reunião ocorrida no dia 31 de outubro participaram o prefeito Alexandre Zancanaro, membros do Conselho Municipal de Saúde e representantes de entidades que se pronunciaram sobre a atuação do Imas a frente do hospital. Nesta reunião alguns médicos declararam sua insatisfação com a administração do Imas, e alguns deles propuseram ao prefeito que ele descontinuasse o contrato com o instituto, pois a continuidade poderia comprometer as finanças do hospital. Apesar dos apontamentos feitos, há quem pense diferente e defenda a permanência do Imas a frente do hospital. O diretor clínico, Dr. Euclides Dall’Oglio, não concordou com os levantamentos feitos e disse que nem todos compartilham da mesma opinião, e segundo ele, o Imas deve continuar exercendo seu trabalho dentro do hospital.

Na última sexta-feira (1) o prefeito Zancanaro concedeu uma entrevista a Rádio Cultura e se mostrou tranquilo quanto a essa situação que ocorre no hospital e falou que não tem intenção de romper o contrato com o Imas. “Na reunião ouvimos uma opinião particular. Nestes seis meses demos grandes saltos. Estamos sendo referência na região e temos capacidade de aumentar a demanda. Toda mudança tem um tempo de maturação para os efeitos estarem acordados. Com relação ao déficit é uma situação que estamos tratando administrativamente com o Conselho do Imas e há a possibilidade de revisão de um equilíbrio financeiro. Não temos intenção de rever o contrato, uma vez que isso não vai solucionar o problema”, disse.

*Reportagem publicada no Jornal “O Celeiro”, Edição 1603 de 07 de Novembro de 2018.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *